segunda-feira, 9 de março de 2009

camino primitivo de Santiago de Compostela agost//set 2008

após o camino Português, para conhecer outras regiões da Galícia e Astúrias, pensei em fazer o caminho da costa que começa em Oviedo,
    29/08 -  Ao sair de Finisterre pela manhã peguei um ônibus até La Corunã .
O caminho foi tranquilo, muito bonito, passando pelos pueblos, até La Coruña que fica a beira mar.

a cidade é muito bonita, mas, carros demais e motoristas irritados e apressados diminuem o prazer de passear pelas ruas.
Deixei a bicicleta com a bagagem no terminal de ônibus e fui cmainhar  pela orla. Uma chuva de verão deu uma refrescada mas fiquei um tempo em baixo de umas árvores, esperando diminuir. Peguei um bondinho(tranvia) para conhecer toda a orla marítma.

voltando para a o terminal de buses comprei plástico bolha para embalar a bici, seguindo as justas exigências da empresa. aí um simpático ciclista do país Basco me ajudou e seguimos viagem junto até Oviedo, contando histórias de viagem. Muito prestativo  ligou para o albergue que informou que estaria fechado as 10 horas, não aceitando mais peregrinos. a alternativa foi então ligar para uma hospedagem particular e negociar um preço. chegando em Oviedo fui para esta hospedagem que ficava justamente na rua de mais agitação noturna, a calle gascona, rua das cidrerias.  muito interessante, muita festa,as cidrerias cheias, música, animação geral, e como falam alto estes espanhóis!!


Dia seguinte ,30/08/09 ,deixei minha bagagem e bicicleta no hotel e fui percorrer as ruas próximas, apreciar a arquitetura e as esculturas pela cidade,e tomar café , comprar pão e frutas .
Na catedral encontrei um grupo de peregrinos que estava saindo para fazer o camino primitivo e foi aí que comecei a considerar esta alternativa ao invés do camino da costa.

Voltei ao hotel, peguei minhas coisas pedalei pela cidade e então me mudei para o albergue de peregrinos que só abria lá pelas 4 horas.
Na igreja do outro lado da rua acontecia um casamento com música instrumental, os noivos foram recepcionados na rua pelos músicos .
Eu e um francês que também esperava abrir o albergue ficamos assistindo o "concerto ".
No albergue "el salvador de Oviedo" o clima era ótimo, lotado de espanhóis simpáticos e tive a agradável surpresa de encontrar um casal de portugal , Miguel e Débora, ele português, porém ela era brasileira, do norte do Brasil. Então não paramos mais de falar. Eles estavam de bicicleta e pretendiam fazer o caminho pelas trilhas.fiquei muito feliz com este encontro.
Este albergue não é grande e não tem cozinha, só geladeira e alguns pratos.
Conversando com os espanhóis decidi memo fazer o caminho Primitivo. Estávamos preocupados porque havia chovido torrencialmente no dia anterior e estaria muito enlameado  tornando difícil seguir pelas trilhas, sendo melhor, como nos nos aconselharam,  ir pelas estradas  de asfalto.
deixei para decidir quando já estivesse no caminho.
PRIMEIRO DIA- 31/08/09

 Amanheceu ensolarado e quente, atravessei a cidade e ao pedir informação para um senor, este disse que os senderos estavam bons . Porém tive dificuldade mais adiante porque a sinalização do camino não é boa; há trechos que não têm mais as placas ou as setas porque as ruas foram modificadas.
Mesmo assim encontrei as trilhas e estavam ótimas, molhadas mas não enlameadas. Peguei muitas subidas em zona rural, passei por pueblos, havia trechos lindos de trilhinha estreita em descida no meio da mata fechada.
este caminho, historicamente foi o primeiro de todos, mas é o menos usado pelos peregrinos devido a dificuldade geográfica e ao número de alojamentos.
Mas dizem que é o mais bonito justamente porque é o que tem mais natureza preservada e paisagens de montanha.

passando pela cidade de   Salas parei no albergue , que estava lotado e tinha péssimo aspecto, um pardieiro, sujo, um horror,. segui mais uns 3 quilõmetros até  Tineo, onde havia um ótimo albergue, instalado onde antes era uma escola, uma construção linda, de paredes de pedra , reformada , muitas camas, fogão, banheiro ótimo, um luxo, comparado com o anterior.
E havia só dois peregrinos instalados. Depois chegaram os amigos de Portugal e ficamos felizes de nos reencontrar.


Dormimos muito bem , o local era silencioso e a temperatura agradável, um pouquinho frio .
Pouco antes de pegarmos no sono, um barulhão fora nos fez correr à janela: tivemos um ataque de riso ao ver que era a senhora da casa ao lado batendo os tamancos para tirar a lama.

SEGUNDO DIA- 01/09/09
Depois de todos terem saído ainda fiquei um tempo aproveitando o silêncio e a beleza do lugar . . Estava tão agradável que não dava vontade de sair. Tão tranquilo o lugar que as pessoas deixam um  saco pendurado do lado de fora para o entregador colocar o pão que ali fica sem problema até que as pessoas da casa acordem.
 
Não foi possível para mim seguir somente pelos senderos, estava um mingau em alguns trechos, e pior, misturado com bosta de vaca.
Peguei trechos lindos de carretera,  a estrada passa entre florestas, tem pouco movimento e há certo cuidado e respeito por parte dos motoristas em relação a ciclistas.
Próximo a algumas cidades há longos trechos de lindas ciclovias acompanhando a estrada .




 a paisagem é  rural com vales e montanhas e muito verde. e algumas subidas boas para apreciar a paisagem.
Neste segundo dia também tive alguma dificuldade com a falta de sinalização do caminho.encontrei mais dois ciclistas , asturianos, estavml almoçando numa fonte, parei para uma rápida conversa e segui, esperando encontrá-los mais adiante porque pareciam bem dispostos e bem humorados e seriam ótima companhia.
Pernoitei em Pola da Allande, uma cidade linda, pequena, tranquila. de noite saí para jantar e tomar um vinho e ao voltar para o albergue encontrei vários gatinhos pela rua e três ciclistas que estavam esperando ônibus porque tiveram problemas mecânicos.  O  lixeiro estava passando, nos cumprimentamos e mais adiante um senhor pediu para ele esperar que iria pegar o saco de lixo em casa , e ele esperou tranquilamente.O  albergue estava lotado e com alguns roncadores profissionais a todo volume.

TERCEIRO DIA -02/09/09
Os roncadores sairam bem cedo,ainda escuro, dormi mais um pouco e segui pelos senderos, num dos trechos mais lindos , agrestes e ..difíceis. Peguei uma subida de trilha com pedras  enormes, até para caminhar era difícil, uma coisa absurda.
aqui uma passagem sobre um córrego.


quando a trilha chegou ao asfalto não tive dúvida e segui pela carretera, subindo continuamente até 1146 m de altitude, chegando ao Puerto del Palo,onde  estava frio e com vento muito forte. Fiquei imaginando como seria no inverno.
















A descida ,é claro foi alucinante, mas tive que parar vária vezes para tirar fotos.
quando estava perto de embalse de Salime encontrei os asturianos e depois o casal de Portugal.

Acabamos nos reunindo e chegamos juntos em Grandas de Salime onde o albergue era meio precário, pequeno, mas nos ajeitamos.
era cedo e saimos para conhecer o pueblo, comprar comida, passear no parque, conhecer o museu etnográfico. Havia previsaõ de chuva para o dia seguinte, pensei em procurar uma capa de chuva porque estava frio. Achei 5 euros na rua e foi justamente este o valor da capa de chuva que comprei.

A previsaõ estava certa e amanheceu chovendo muito. Pegamos uma   subida grande e contínua até o puerto del Acebo. estava frio e a chuva não parou nem um momento. Neste trecho estávamos juntos ,parecia um acordo tácito devido a dificuldade da situação.
Mais adiante a estrada estava em obras e o leito enlameado e a névoa tornavam tudo mais perigoso,. e estávamos congelando,  o albergue estava longe e na beira da estrada  não havia local para nos abrigarmos .
Ao chegarmos numa cidade foi muitobom  tomar um café quente em um local quentinho e descongelar as mãos. as minhas estavam congeladas mesmo, não conseguia mais passar as marchas.
mais um pouco e chegamos no albergue de Cadavo, a 710 m ,muito bom, cozinha ótima, calefação, só alegria.O chão era aquecido e caminhávamos descalços  para encontrar os locais mais quentes e colocar as roupas e calçados para secar. O albergue já não tinha mais lugar onde pendurar roupas molhadas.
Quando saí para comprar comida um senhor me deu carona apesar de eu estar suja e molhada e me levou no supermercado onde eu queria comprar de tudo, tamanha a fome.comprei um pão enorme, uma alface que parecia um repolho, peixe enlatado, e muito chocolate.

Depois das dificuldades que passamos estávamos todos mais alegres e mais entrosados ainda.O albergue estava cheio e tratamos de pegar um quarto longe dos roncadores. Agora nossa brincadeira era descobrir pela aparência quem era roncador. Felizmente aqueles campeóes que encontramos em Grandas de Salime não apareceram.

QUARTO DIA  03/09/09
ainda chovia e estava muito frio. Os 5 corajosos bicigrinos sairam para mais uma etapa do camino, subindo para o Purto del Acebo, a 1030 m, em meio a uma densa neblina .

após 12 km, Castroverde, parando a chuva pegamos os senderos ,próximo a Lugo, a estrada estava muito movimentada. consegui numa passada só por espinhos do caminho furar os dois pneus.
chegando a Lugo conhecemos a impressionante muralha.

A muralha romana (ss. III-IV), Património da Humanidade desde o ano 2000, tem 2.140 m de perímetro, dez portas e quarenta e seis torres defensivas. É uma das mais completas de Europa.
subimos por uma escada para pedalar em cima da muralha. depois vimos que havia rampa de acesso próximo a catedral. Nunca imaginei que um dia pedalaria num lugar assim.



 Passamos no albergue de Lugo, carimbamos a credencial após conversar com o simpático hospitaleiro e como
ainda era cedo  optamos por pernoitar num albergue fora da cidade de Lugo.
chegamos ao albergue de Guntin, esperamos um pouco pela eventual chegada de peregrinos a pé, que teriam prioridade, e nos instalamos.Havia já dois peregrinos , meio estranhos, um tanto "folgados", estavam bebendo muito, davam umas olhadas de tarados para nós, eu e Débora. Ficamos preocupados, falamos com o hospedeiro que deixou seu telefone. achamos muito estranho este comportamento desagradável por parte de peregrinos, mas nada aconteceu.
De madrugada um deles, o mais sóbrio,saiu em meio a uma tempestade , o outro ficou reclamando que estava se sentindo mal.
Nós saimos quando acalmou a chuva mas os senderos estavam debaixo dágua, passamos por dentro de córregos, estava frio, uma névoa envolvendo os campos, loucura!!
Saimos junto mas eu toquei na frente porque não era possível esperar Miguel e Débora,devido ao frio. Mais adiante em Melide, onde o caminho primitivo encontra o caminho francês esperei por eles, parei uma hora na cidade, sentada próximo a um albergue, fazendo lanche, observando o grande movimento de peregrinos .
 é muita gente, por toda a rua, não para de passar peregrino. Tem gente que vem de carro, salta, bota a mochila nas costas, disfarça, vai caminhando com cara de cansado, outros vêm com carro de apoio de familiares que entregam as mochilas próximo ao albergue, prá disfarçar.
Segui pelos senderos que aqui saõ mais fáceis, muito mais trilhados, mais largos .
Tinha que pedir licença prá passar nas trilhas, havia grupos grandes d eperegrinos que fechavam o caminho. e a diversaõ é falar buon camino e todos respondem.
chegando em Arzua fiquei num albergue particular, mais caro que os outros mais muito bom, com internet (paga a parte).almocei , passeei, depois começou de novo a chuva, visitei as igrejas e numa delas , que jánão era usada como igreja, havia uma exposição de fotos sobre o desastre do Prestige.
No albergue havia uma turma de alemães muito divertidos, me convidaram para jantar com eles, foi muito legal, alguns falavam inglês, rolou um vinho e rimos muito.
Havia uns franceses que eram como a maioria dos  outros que encontrei antes, não se misturam, só falam francês, e querem que todos entendam e também falem em francês...
Havia um garotão alemão de bicicleta, conversamos um pouco, ele queria informação sobre Portugal, estava fazendo o caminho francês só pelas carreteras, com pneu slick.

QUINTO DIA 06/09/09
tomei café com o garotão alemão, derrotamos uma barra de chocolate black e nos despedimos dizendo que ainda nos veríamos .
ainda chovia fino, fazia frio, fiquei arrumando minhas coisinhas calmamente, depois fui prá janela ver a passagem dos peregrinos, falando buon camino para todos.




quando parou a chuva, saí e fui encontrando todo mundo, até a turma de alemães.
Estava preocupada com Miguel e Débora e numa das subidas tive a alegria de encontrá-los.
assim tivemos a alegria de chegar juntos a santiago de compostela. Optamos por ficar no albergue do Monte do Gozo, que é enorme( o albergue)-  tem 400 lugares, 100 para bicicleta.
É um complexo com alojamentos e estrutura para convenções, restaurantes, posto de gasolina, muito estacionamento, serve não só aos peregrinos, tem alojamentos mais luixuosos .
http://www.montedogozo.com/

As bicicletas ficam em paraciclos em frente a cada prédio. falei com o vigia que me deixou colocar a minha dentro do alojamento: dupla vantagem porque fiquei só em um quarto , sem roncadores. De noite encontrei uma peregrina que conheci em Arzua. Estava  com saco de dormir na mão, procurando um quarto sem roncadores e nos juntamos na mesma habitação.
Passamos mais um dia em Santiago de Compostela para assistir a missa do peregrino. A catedral estava superlotada, antes da missa o  povo que não parava de conversar, parecia uma feira, não adiantava pedirem silêncio pelos altofalantes.
Depois teve uma aulinha de latim prá gente cantar durante a celebração. aprendi e cantei .
Muitas pessoas estavam ali realmente pela fé, outros parecia que era puro turismo, tirando muitas fotos durante a missa e tentando chegar mais prá frente de forma mal-educada.
Mesmo prá quem não é religioso é uma cerimônia bonita prá ser acompanhada com mais reverência.
Eu precisava sair  antes do povo prá dar tempo de ir na visita às cubiertas da catedral e
quando estava no ofertório aproveitei e fui atrás do homem da sacolinha que ia abrindo caminho-eu atrás dele com uma moedinha prá fazer de conta. Na saída dei a moedinha.

a visita guiada às cubiertas da catedral é imperdível, vale pagar para caminhar pelo telhado e conhecer toda a estrutura , muito lindo  lá em cima.

http://www.catedraldesantiago.es/visita/visitavirtualcubiertasING.htm?pcubie






após almoço fomos de carro a Finisterre, queimar a roupa suja e pegar um lindo por de sol.
após um jantar na beira da praia procuramos um albergue particular porque não daria mais tempo de voltar a Santiago.


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