As baleias começaram a chegar e fui ao encontro delas pedalando.
Num domingo, decidi sair, no outro dia revisei a bicicleta, montei a garupinha, alforjes, barraca, e no dia seguinte,18/08/10, pedal na estrada .
Sem planejar , só com um mapa geral de SC, os caminhos iniciais já conheço de pedais anteriores, o que quero é acampar nestes lugares , tudo sem pressa ou preocupação com hospedagem.
O tempo está seco, frio, não há previsão de chuva para os próximos 10 dias, o vento é norte, ewsou indo pro sul.
saio após o almoço, pedalando da minha casa na trindade, florianópolis, já encontro um ciclista com alforjes no portão de casa, mas ele entra em seguida numa empresa, nos cumprimentamos, sigo com as pessoas olhando de forma simpática, os carros dão distãncia ao ultrapassar, beleza, acho que vou sair todo dia de alforje prá trabalhar.
O dia está agradável, neste horário o trânsito é menos intenso, vou pela lauro linhares, rui barbosa, bocaiuva, almirante Lamego até Arno Hoeschel onde pego a ciclovia da beira mar norte, este é o trajeto costumeiro para chegar ao continente.
atravesso a ponte, cumprimento os pescadores, encontro mais um ciclista equipado, sigo pelo bairro de coqueiros junto ao mar , passo pelo bom abrigo onde o acesso é mão única, obrigando a passar pela calçada num trecho pouco movimentado.
Para acessar a beira mar de Saõ josé também tenho que seguir pela calçada até o começo da ciclovia, por onde sigo até seu final.
Passo pelo centro histórico de são josé, um pedacinho de história preservada, no meio de tanto concreto ,neste município onde o uso do carro já provocou muitas alterações na paisagem.
Na ponte do imaruim opto por seguir pela ciclovia da rua elza luchi e ciclofaixa na rua principal da cidade, passando em frente a prefeitura e igreja.
Na travessia da br 101 há modificações que me obrigam a dar uma volta até finalmente pegar a estrada velha de santo amaro até o acesso para os pachecos, depois seguindo para a guarda do cubatão onde paro num boteco para um lanche.
após passar a ponte pênsil do rio cubatão sigo em direção a br para pegar o acesso do furadinho, que tmbém encontro modificado.
Seguindo pelo furadinho passo pela praia de fora e enseada do brito onde, na praça, paro na loja de artesanato da amiga patricia amante. os objetos que ela e seu companheiro criam são lindos, variados e de muito bom gosto. O ambiente é muito bonito e agradável e são pessoas criativas e de sensibilidade.
a tarde está caindo e tenho que me apressar para montar acampamento em algum lugar.
a subida do morro dos cavalos tem que ser feita pela br, na beira da terceira faixa, dos caminhões. foi tranquilo, até as carretas davam alguma distância. sinto-me uma formiga no meio dos elefantes.
No Passo do maciambu tomo banho no rio, muito frio mas muito gostoso, faz-me sentir viva. e para minha surpresa os vagalumes aparecem ao meu lado, muitos , dezenas, é lindo ,foi um espetáculo só prá mim nesta noite de lua crescente.
chego na casa do cacique da aldeia, o Karai djekupé, já conheço ele, esposa e filhos e estava devendo uma visita mais demorada, geralmente passo pela casa deles rapidamente.
O cacique está viajando e a esposa dele me recebe com toda simpatia, me convida a dormir ali mesmo na casa, sem precisar montar barraca. Foi muito agradável passar este tempo com estas pessoas, comer o jantar preparado com simplicidade mas com muito sabor, dormir no chão da sala escutando canto dos grilos. Estas são coisas preciosas, marcantes, e que acontecem quando saimos da rotina e temos também a simplicidade para nos deixar envolver, sem preconceitos.
Neste dia pedalei 55 km em 3 hs e meia, média de 16 km/h.
a noite foi fria, ainda bem que havia um cobertor prá reforçar o saco de dormir.
acordo cedinho, tomo um café quente, visto jaqueta, há uma névoa fria. Não encontro meus óculos de sol e vou até onde tomei banho de rio na noite anterior onde encontro a porteira fechada e o dono da terra lá. peço prá entrar com a desculpa de tirar umas fotos, sigo pela trilha e o óculos está lá, felizmente.
após o caminho do Maciambu , cruzando a BR pode-se seguir pela estrada da sede do parque do tabuleiro que sai no acesso da guarda do embaú e daí há a opção de seguir para a Guarda ( ou Pinheira) ou voltar para a br 101 para cruzá-la e pegar a estrada do Albardão.
Geralmente faço este trajeto mas hoje arrisco um trecho de br para pegar o caminho do albardão, pegando a segunda entrada, para evitar os caminhões que transportam areia dali.
Este caminho, de terra, leva até paulo lopes onde se chega pelos fundos. o trecho inicial é plano, após passar pela mina de areia tem subidas curtas, há trechos de areia fofa e no final só uma subida forte .no caminho há um rio ótimo para banho.
atavessando a cidade de paulo lopes, novamente cruzo a br 101 para ir até garopaba via Lagoa do ribeirão e siriú. a subida é forte, a paisagem é deslumbrante, já passei vária vezes por aqui e sempre é bonito.até garopaba já fui várias vezes em pedais de fim de semana saindo de florianópolis, mas sem carga na bicicleta, só a roupa do fim-de semana ,por isso ia num dia e voltava no outro.
Agora não me demoro na cidade, tenho que desviar de algumas ruas que estão sendo asfaltadas, estamos em período de campanha eleitoral e aqui onde uma ciclovia virou estacionamento, o mais importante é ter muita estrada para os motorizados correrem e assim garantir votos para os amigos.
Nem passei na pousada onde costumo ficar, "reposo de artemis", sigo para as praias, ferrugem, barrinha, atravesso a barra, totalmente seca, aqui já acampei ao lado do rio, que já não há, rio em que um pescador local, seu mané bilica, jogava a tarrafa, pegava os peixinhos chamados escrivão e nos dava de graça prá fazermos uma fritada, e como era bom! isto foi em 1975 e 1976, quando tínhamos que caminhar todo o trecho de acesso a partir da br101 pois não havia transporte público.
Atravessando a barra chego a campo d'una, pego um asfalto, depois terra e finalmente, praia do rosa, onde não há camping aberto e vou até o final da estradinha que acompanha o costão ond eencontro um lugar ótimo, junto a um ranchinho de pesca.
pedalei 73 km em 5 horas com muitas subidas e muitos trechos de areia.
a praia está deserta, não há mais tainha, só um pescador solitário ao longe e duas pessoas caminhando na trilha do costão.
aproveito o calor da pedalada, dou um mergulho na água gelada, depois tomo um banho de caramanhola pegando água de uma torneira ao lado dos ranchos, troco de roupa, me sinto ótima, renovada, feliz, muito feliz, com todo aquele mar, céu e pedras, o vento forte, o sol enfraquecendo.
Monto a barraca, faço uma refeição de frente para o mar, sem pagar mais por isto e sem me preocupar com qualquer coisa, nem com algum perigo , que seria a primeira preocupação de alguém neste lugar e nestas condições em que estou. a beleza e a trnquilidade do lugar superam as preocupações, são muito mais importantes.
a lua surge quase cheia e completa o quadro.
de noite o vento acalmou mas estava frio e umido me obrigando a vestir todas as roupas para me enfiar no saco de dormir, que não é o mais grosso que tenho. Pensei que não seria necessaário um saco mais grosso e quiz evitar carregar mais peso.pela noite calcei luvas de lão, cachecol, touca e me cobri até a cabeça.
com o barulho do mar dormi pouco e assim que clareou o dia saí a barraca para ter a surpresa de avistar duas baleias na praia, uma mais perto não pulava muito e outra mais afastada da baía se movimentava bastante para fora da água. tentei fotografar mas apareceu só uma mancha no mar.
agora sou só sorrisos de felicidade, rindo e falando sozinha, dá vontade de ficar aqui o dia todo mas a comida já acabou, não há lugar muito perto para abastecer, desmonto o acampamento, almoço no caminho, perto da praia ,e vou para a aldeia guarani mangaratu que fica em Imaruí, no rio d'una. Para chegar tenho que ir a nova brasília
agora está calor, a estrada é de terra com algumas subidinhas , levo um pacote de café para o cacique, as crianças estão na escola, poucas pessoas circulando, descanso um pouco, converso com pessoas da aldeia e volto pelo mesmo caminho até o cruzamento onde sigo para o município de imaruí.
Um pouco antes da cidade , no cangeri, vejo um lugar bom para acampar, próximo da lagoa, onde há uma escola de informática. pedalei somente 68 km hoje, saí do rosa 10:30.
O menino responsável pela escola me recebe bem, gosta de bicicleta também, , se interessa pelo equipamento de camping. conversamos enquanto monto a barraca, depois a escola é fechada, só os banheiros ficam abertos.
de noite fica muito frio e úmido, talvez pela proximidade da lagoa, mas a noite é estrelada.