segunda-feira, 13 de setembro de 2010

sul de santa catarina-do farol de santa marta a Praia grande









saindo do cabo de santa marta pedalo pela orla da praia do cardoso até a faixa de areia onde empurro para chegar a praia ao lado, talvez seja a da cigana. volto , pego a estrada, entro num acesso alternativo para jaguaruna, ao lado do posto de gasolina, para chegar na barra do camacho, que separa laguna de jaguaruna.hoje assim evito os trechos de areia da outra estrada.é segunda-feira, poucos carros, dia quente, vento fraco a favor,estrada plana.


atravesso a barra do camacho cruzando uma pequena ponte de concreto, passo por uma comunidade , o asfalto vai até na cidade de jaguaruna passando perto da lagoa de garopaba do sul de um lado e da praia grande do sul do outro.

Meu plano agora é chegar a nova veneza pelo caminho mais tranquilo, pergunto no corpo de bombeiros como são as estradas, me aconselham a entrar no sangão e seguir para morro da fumaça, passando por criciuma mas sem entrar na cidade.

após jaguaruna  pego a BR 101 mas não encontro a placa para sangão .Em Içara paro para comer e esperar o sol acalmar, está muito calor. pergunto pelo sangão , me informam que faltam 12 km!! na verdade já passei pela cidade de sangão, o que tem a frente é o bairro do sangão que pertence a criciuma. todo o trecho de br que fiz até agora está muito tranquilo porque há marginais duplicadas, muito bom mesmo, pouquíssimo tráfego e pouco barulho.
No acesso do bairro sangão isto muda quando sigo pela estrada jorge lacerda , com muitos caminhões e sem acostamento. Encontro um lugar ótimo para pernoitar ao lado de um lago, "balneário niki", não é um camping mas a dona permite que eu acampe onde quiser, usando os banheiros e vestiário do campo de futebol.
Após montar a barraca assisto ao por do sol vermelho com a lua nascendo rosada do outro, por trás dos eucaliptos.meu odometro marca 103 km quando volto do supermercado próximo.
a temperatura cai bastante durante a noite e a umidade é grande, a barraca amanhece encharcada.

Continuando na av jorge lacerda passo por Forquilhinha, onde tenho a surpresa de pedalar por uma pequena ciclovia, com piso vermelho, curtinha mas simpática.

é hora de saída da escola e há bandos de estudantes pedalando de volta prá casa.
a estrada de acesso a Nova Veneza é asfaltada mas com pouquíssimo movimento, quase deserta. O visual é bonito , há trechos com vegetação mais fechada, algumas subidas curtas, muito agradável, apesar do calor que está aumentando.
chego na cidade na hora do almoço, vou no restaurante italiano napoli, deixo a bagagem e pedalo para conhecer as casa de pedra que ficam a 3 km da cidade, seguindo uma estrada de terra com muitas subidas de pedras soltas. Vale a pena o esforço, as casas de pedra são lindas, parecem guardar o trabalho empregado para erguer suas paredes, pedra a pedra, encaixadas , onde não se vê argamassa .


após o almoço quase durmo em pé visitando o museu, não porque não fosse interessante, mas sim porque a comida foi um exagero,(a puina estava ótima) e com o calor, deu uma moleza daquelas de deitar no banco da praça e tirar um cochilo.
Resisto até a tentação de pegar um quarto no hotel anexo ao restaurante ( 25,00 o mais barato), tomo um café reforçado e continuo  o caminho, estrada de asfalto, paisagem bonita, passando por São Bento Baixo,  onde pego água gelada no bebedouro do supermercado para preparar uma caramanhola com o Suum, pastilha de reposição de eletrólitos, assim evito comprar outra bebida em garrafa plástica e produzir mais lixo, além de outros benefícios. Noto que ajuda a passar a moleza depois de suar muito em dias quentes.
sigo por um acesso de terra para Meleiro, pegando a tal linha reta, indicada por um moço no restaurante, morador dali e criador de truta, muito gentil, ofereceu lugar para eu acampar na sua fazenda, ao lado das casa de pedra.
O caminho é mais curto mas há bastante pedra, é meio sacolejante, e a paisagem é só de banhadão de arroz. talvez seja bonito quando o arroz estiver crescido e verdinho e talvez esta estrada não seja sempre assim pedregosa.

Em Meleiro , após pedalar somente 65 km neste dia, fico no hotel meleiro, num posto de gasolina, pego um quarto nos fundos, onde não chega o barulho da estrada  e durmo muito bem.
achei meio caro, 40,00 com o café , que não era  bom.
aproveito para lavar as roupas que estavam pedindo socorro,principalmente a roupa de pedalar, tenho usado sempre as mesmas.
uma das vantagens de não acampar é que ganha-se tempo, assim saio cedinho de meleiro, pego o asfalto para turvo, ermo e jacinto machado, tudo estrada secundária com pouco movimento e todas cidades pequenas, calmas e simpáticas.
de jacinto machado chego a sombrio, onde pego um ótimo trecho duplicado da BR 101, com marginal duplicada e vento a favor,  daí sigo para São joão do sul e finalmente praia grande, após 101 km neste dia 25/08, onde fico no HI hostel nativos dos canyons, que tem área de camping.
é o lugar mais simpático, os donos são um casal muito lindo, super amáveis, a recepção é muito gostosa, já ganho um bombom de boas vindas, parece que já me conhecem, é tudo muito bom, muito sincero.

Passo quatro dias aqui, conhecendo a região, faço a trilha do rio do boi, onde a caminhada é feita dentro do cânion, atravessando o rio e caminhando pelas pedras. o leito do rio é de pedras grandes e escorregadias. O cãnion vai estreitando e passamos por cachoeiras e laguinhos.
esta trilha só pode ser feita com guia, tem que passar no posto do guarda florestal, apresentar documentos.
o guia que nos levou, o  Mite é muito tranquilo, me buscou de moto no hostel, para encontrar o casal que iria junto,  muito legal.

apesar do tempo nublado no dia seguinte subo pedalando a serra do faxinal, vou mais para vencer o desafio, consigo subir os 15 km em 2 horas, saindo de 45 m de altitude e chegando a 1007 m na divisa dos estados de sc e rs. a estrada tem muitas pedras soltas, numa curva as pedras estavam molhadas e lisas, dou uma derrapada, desmonto , passo a curva e o sigo , atravessando um trecho por dentro do nevoeiro.
Na descida vou devagar, mesmo assim demoro metade do tempo, várias vezes derrapei, este pneu está careca mesmo, demoro uma hora até no hostel.


depois vou conhecer a vila rosa , sigo para a pedra afiada, vou até o final da estrada, pego uma trilha até uma porteira , volto, retorno pela Alvorada.

almoço no restaurante 'casa do sabor', é prá comer bem mesmo, muito bom!

outro caminho interessante, lindo, com algumas subidas, é o da Pedra Branca, onde se chega a uma comunidade quilombola. vou na casa do chefe dos quilombolas, ele e esposa, velhinhos, muito amáveis, me convidam a entrar, tomo água, sigo mais um pouco , depois de conversar com o guarda florestal.
vou até o começo da trilha da pedra branca, é uma escalaminhada, volto pelo mesmo caminho, na volta é mais fácil, mais descida.

neste caminho a estrada acompanha o rio
, que divide sc do rio grande do sul, há vistas lindas nos trechos de subida.


após estes dias fora da rotina não dá vontade de voltar, principalmente porque o ambiente no hostel é tão bom que só quero aproveitar mais esta paz.


volto de ônibus que sai de praia grande fazendo troca em araranguá. O vendedor de passagem tenta cobrar pela bicicleta, falo que sou atleta federada,  não cobra, mas na hora de embarcar  o motorista olha meio atravessado prá bici, diz que em araranguá não vão deixar embarcar a bici, nem me ajuda a colocaá-la no bagageiro, tenho que me entortar toda prá ajeitar a zica, que é isso, falta de consideração com mulher e idosa.

Em araranguá já fico esperando pelo pior e acontece justamente o contrário, o pessoal foi super gentil, o moço colocou a bici no bagageiro, amarrou com o extensor, arrumou minha bagagem, super simpático, ele e os outros motoristas .
Dia seguinte mando e-mail prá empresa União, agradecendo e elogiando.

chego em Florianópolis muito feliz e renovada , na rodoviária ajudo duas pessoas que não sabem fazer ligação no orelhão, uma parece lá do norte do país, veio de mala e cuia encontrar o irmão. tudo resolvido, monto na bici, feliz por não precisar esperar que alguém venha me buscar ou esperar um táxi, delícia de autonomia.um casal  que veio no mesmo ônibus me pergunta prá onde vou, Vou prá casa pertinho, na trindade. acham longe, 6 km, ah , se sabem tudo que já pedalei, não vão acreditar.
sinto-me uma turista chegando, vou devagar, são 11 horas da noite, noite agradável, sinto-me ótima, dá vontade de começar outra viagem agora mesmo....
dia seguinte ao dar uma voltinha perto de casa, indo prá loja do Della,  a poucos metros, furo a câmara e ao trocar , o Paulo, mecânico , descobre que o pneu tá com três rasgos, portanto , imprestável, o que fizeram as pedras do caminho, e nem tive problemas, comigo geralmente é assim, só dá problemas onde tenho solução por perto.








sábado, 4 de setembro de 2010

sul de santa catarina - Imaruí ao farol de santa marta


acordo na beira da lagoa do imarui, dia ensolarado,  com uma fome que não pode esperar, vontade de tomar um café quente, arrisco deixar a barraca com tudo e vou até a cidade procurar uma padaria. a cidade é perto, uns 10 minutos, deixo o cachorrinho da casa ao lado tomando conta da barraca . foi muito bom, sol nascendo, frio ainda, um café prá alegrar e aquecer a alma.
quando volto para Imarui já seguindo viagem, pego um caminho mais perto da lagoa, com mais subidas e vista mais bonita das águas calmas com várias ilhotas. estou impressionada com a beleza deste lugar, nunca alguém comentou comigo sobre isto, e é tão perto de Florianópolis.  Imagino um circuito de cicloturismo nesta região.
Há alguns restaurantes que servem o camarão pescado na lagoa . No dia anterior, o Ismael , da escola de informática comentou que as águas da lagoa estão contaminadas pelo agrotóxico das plantações de arroz da região. Também comentou que a população do município está diminuindo porque as pessoas buscam emprego em outras cidades.
A cidade de Imaruí, pequena e simpática, tem algumas construções antigas preservadas e se estende a beira da lagoa, com trapiches e calçadas .
A  estrada que costeia a lagoa, tem trechos íngremes, é de terra na maior parte, com trecho de lajotas no final, onde tenho que pegar a br 101 para ir a Laguna. Agora sigo por  12 km de rodovia duplicada mas na travessia da ponte não há duplicação nem acostamento no sentido imarui- laguna. deveria ter seguido na contramão, foi uma travessia arriscada, quando acabou foi um grande alívio.
em laguna paro no posto de informação turística, procurando mapa da região mas não há disponível. Pretendia ficar vparios dias conhecendo a cidade e as praias.
Opto por ir direto para o farol, evitando ter que pedalar de noite. passo antes no mercado público municipal, para comprar alguma comida, há uma loja de produtos integrais , o pão é ótimo, o chá, servido em xícaras de verdade,(não em plástico), é delicioso, completando o ambiente acolhedor e simpático da loja.
Para chegar ao farol deve-se pegar a balsa que sai com frequencia dia e noite.
a travessia é curta, 5 minutos, depois sigo mais 17 km até o farol. a regiaão é bem servida de comércio, com supermercados.
a tarde cai, o sol vai ficando vermelho, depois fico sabendo que é devido a nuvens de fumaça provenientes de queimadas, mas é lindo.
a estrada tem trechos com areia fofa, alguns bem difíceis de pedalar, onde as dunas avançam. ou foi a estrada que avançou onde havia dunas.
chego bem no limite de escurecer ao camping cardoso, antes da subida para o farol.
hoje pedalei 88 km em 6 horas.
Sou recepcionada com muita simpatia pelo Murilo, surfista proprietário, oferece  o preço do camping para eu ficar no albergue, convida prá tomar um caldinho de feijão.
de noite vou caminhando para o  farol, depois de me encher de roupas, até cachecol e luva, prá enfrentar o vento.
Dia seguinte, 22/9, é domingo, há mais movimento na região, mesmo sendo inverno vem gente surfar ou passar o dia, pescar, almoçar.
saio após o delicioso e bem servido café do camping, vou de bicicleta até o fim da estrada, depois de passar pelo farol.

na volta há mais carros circulando , ou tentando, porque a estrada é estreita, os carros estacionam, congestiona o trânsito e o pessoal de carro vai se enfiando. Passo por tudo, vou no restaurante Eva, o almoço é ótimo, com peixe, camarão,  e é barato, a quilo.

de tarde caminhando pelo costão vejo um panorama muito triste: muito lixo largado entre as pedras, garrafas plásticas, sacolas, latas de cerveja, linhas de pesca. vou catando até encher uma sacola enorme que levo na pousada Capitão Gancho, pedindo para o proprietário, o Tico, se poderia ali deixar para ser recolhido. ele aceita, elogia o gesto, e...surpresa! me oferece um pernoite de cortesia, num quarto bem de frente pro mar!!
quase não acredito, vou correndo pro camping, numa alegria só, pego minhas tralhas e me instalo neste lugar lindo, assistindo a mais um por de sol vermelho e me despedindo  do Tico que volta prá Laguna, vai levando todo o lixo da pousada prá garantir que os cachorros não espalhem, leva até o lixo dos vizinhos, na caminhonete.
A noite é de lua quase cheia, céu claro , fico conversando com o Beto, que toma conta da pousada, preparo um delicioso chá com a hortelã colhida perto do farol.
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