sábado, 17 de outubro de 2009

Cuba


aeroporto Saõ Paulo
mala-bike ararauna

álbum de fotos em:
https://picasaweb.google.com/100926094564443947580/CubaEnBici

saindo de avião de florianópolis, escala de 1 dia em Lima, Peru.
2 dias em Havana, um vôo rápido para santiago de Cuba, no outro extremo da ilha para começar o pedal de 20 dias pela ilha retornando a Havana.

preparativos:

passagem aérea pela TACA mais barata
visto: encaminhado através de agência de turismo, não tem exigẽncias como p. ex. para EUA ou Austrália, basta mandar o passaporte, comprovante da passagem aérea e reserva do hotel.E pagar.
seguro de saúde: My assistance - felizmente não usei.
material impresso :
  • Lonely Planet Cuba
  •  mapa de carreteras comprado pelo site cubadirecto
  • guia lonely planet cycling cuba
  •  guia bicycling cuba

infrmaçõs pela internet:

  • http://www.bicyclingcuba.com/book.html

  •  viajeros.com
  • clube de cicloturismo do Brasil -site e lista de discussão
 a bicicleta:

levei uma gancheira de reserva, duas cãmaras reserva, kit remendo, lubrificante, WD-40 e panos de limpeza.
antes da viagem troquei corrente e fiz uma revisão caprichada , graxa geral, limpeza de cabos.

Não sabia se teria lugar para deixar a malabike e assim optei por usar uma que fosse leve e compacta, apesar de precisar proteger mais a bici com plástico bolha e espumas .
Usei a da ararauna     e peguei o material para protegê-la na loja do meu amigo
Della que sempre me dá uma força nas viagens, lá também fiz a revisão mecânica.


Sabia que dependendo do problema que tivesse com a bici nunca encontraria peça de reposição, creio que nem uma sapata de freio.

bagagem: levei alforjes  ortlieb com o mínimo de bagagem: duas camisas e duas bermudas de ciclismo, três blusinhas, uma jaqueta, uma calça bermuda, uma toalha sintética, biquini, canga, jaqueta fina, chinelo.

Moeda: em cuba, ao trocar dólar pela moeda local, perde-se 20%, você dá 100 dólares e é como se fossem 80,depoise que  fazem a conversão pelo câmbio.
melhor fazer as contas e ver se o euro é mais vantajoso, mesmo que na hora de trocar real pelo euro este esteja mais caro que o dólar.
Trocar moeda na rua nem pensar, aliás tá cheio de trambiqueiros em cada esquina, em Havana oferecem charutos por preços absurdamente abaixo do preço das fábricas. È pagar prá ver se são autênticos, fica a dúvida se são enrolados manualmente ou feitos com sobras e enroladaos em máquinas.
Os tais jineteros, pessoas que oferecem hospedagem , restaurantes, transporte, estão em todo lugar. em algumas cidades o assédio é insuportável, não se pode dar atenção e algumas vezes são tão insistentes que é preciso ser um tanto ríspido para que se afastem, ameaçar chamar la policia.
segurança por outro lado não é problema. Dizem que Havana e Santiago, as maiores cidades são as mais perigosas mas creio que nem se compara com o que conhecemos no Brasil.Para eles um pequeno furto deve ser o máximo da criminalidade. caminhei de noite pelas mal iluminaas ruas de Havana durante vários dias e não percebi nenhuma situação perigosa.
os cubanos parecem ter os testículos no cérebro, diria que são um bando de tarados, não importa a idade , tipo físico, qualquer mulher leva cantada, olhares, mandam beijinhos, principalmente se for   estrangeira. Deve ser porque sonham em se casar para poder sai do país.As mulheres também assediam os homens mas menos abertamente.
dizem alguns que este assédio é cultural...

Porque viajar a cuba?Creio que é um dos lugares mais comentados quando se fala em socialismo e aí aparecem as mais diversas opiniões, geralmente baseadas em informações e não em vivência.
assim , há muito tempo pensava em conhecer de perto la isla não como turista padrão mas tendo contato mais direto com as pessoas. Porque o próprio governo cubano não estimula o contato com a verdadeira rotina dos cubanos. Mesmo os restaurantes e hospedagens localizados em casas de cubanos sofrem uma maquiagem, apesar de serem divulgados com slogans tipo: viva a rotina de uma família cubana. Pareceu-me até que nestes lugares os prprietários fazem parte do esquema de defender cegamente a revolução, talvez  para manter sua licença de funcionamento.
Bem, hay de todo....
com certeza é um lugar único, com características únicas.

A viagem

Parti de Florianópolis em 13/04/2009 , com Mário, colega de pedal que estava estreando em
viagem longa de bicicleta.
Nosso vôo teve conexaõ em Saõ Paulo para Lima( 5 hs de vôo)onde pernoitamos após conhecer um pouco da cidade.
Em Lima  eu havia feito reserva no hostel pay pourix backpacker devido a localização próxima
ao aeroporto. Por e-mail ficou acertado que iriam nos buscar no aeroporto, mas não
apareceram , então pegamos um táxi e fomos a outro hostel - Lima hostel-indicado pelo
taxista, em Miraflores.
No trajeto aeroporto-hostel já conhecemos um pouco da cidade e após nos instalarmos fomos jantar um ceviche (peixe cru marinado com limão)e caminhar pelos arredores. Miraflores é um  distrito de Lima,  conhecido pelas residências de classe alta, modernas lojas de moda, cafés, parques, e por ser local turístico, o governo investe em segurança nesta área,então é muito tranquilo para caminhar a noite, e se precisar de táxi há dezenas a disposição todo o tempo passando e dando buzinadinhas oferecendo serviço .
Pela manhã o mesmo taxista nos levou ao aeroporto, não tomamos café no hostel porque
demoraram tanto , enrolaram na verdade, para servir o desayuno,  que não daria tempo.
Felizmente eu fui antes num mercadinho próximo, quando vi que daquele mato não sairia
coelho, e comprei umas coisinhas, iogurte, biscoito, e foi o que nos safou da inanição. O
taxista, espertinho ainda pediu propina(gorjeta). Em lima usamos dólar para pagar tudo, até

supermercado, onde comprei uma frutinha deliciosa, um tipo de maracujá muito doce.

Haviamos deixado nossas bicicletas no aeroporto, no guarda-volume, então foi o tempo de
pega-las fazer o check-in, pagar a taxa de embarque, que a Taca não inclui na passagem e
deixa para surpresa na hora do embarque. mesmo assim saiu mais barato a passagem em
comparação com a Copa airlines.
após 4 horas de vôo avisto la isla. O dia estava ensolarado, o mar de uma cor verde
indescritível. a ilha tem poucas áreas de mata, predominam áreas planas com plantações,
provavelmente de cana.

após os trâmites de imigração onde parecia que o pessoal tinha chupado limão, enquanto aguardava as bagagens fui ao banheiro onde senti (literalmente) o problema do bloqueio: no hay papel, no hay limpieza. è prá ir se acostumando, bem-vindo a cuba!!
do aeroporto seguimos em táxi para o hotel, Hotel Vedado, que foi reservado pela agência que cuidou dos vistos, foi o mais barato: Us$ 54 pelo quarto duplo. aqui não cobram por pessoa, cobram pelo quarto.
quando falamos que éramos de Brasil o taxista , que estava meio calado, se abriu em sorrisos e simpatia, não parou mais de falar , ia mostrando tudo, perguntando, desde futebol a Lula.

O hotel Vedado é classificado como três estrelas mas aqui no Brasil não entraria nesta classificação. è interessante conhecer, é um prédio antigo, com todos os problemas de prédios velhos: problemas de encanamento, iluminação, vazamentos. ao abrir a torneira, o banheiro é inundado, o chuveiro dá medo de usar, o condicionador de ar parece uma betoneira, escolha passar calor ou não dormir devido ao barulho. ao abrir a janela para  curtir uma vista, a vista dá prá laje do prédio, com os mais diversos objetos e cacarecos.
só rindo mesmo.e foi o que mais fiz, todo o tempo que aqui passei. tudo muito estranho.
a localização do hotel é ótima, pode-se ir caminhando ao Malecon e ao centro histórico. aliás Havana é prá conhecer caminhando , porque a cada 10 passos há algo interessante. Os prédios são quase todos antigos( e velhos) . Caminhamos e íamos entrando em todo lugar que estava de portas abertas . assim encontramos uma escola de dança , um restaurante árabe, um bar charmoso, uma galeria de arte, e tudo sem indicação na entrada, é surpreendente. e as pessoas são receptivas: entre, pode entrar, pode olhar...Muitas pessoas sentadas na frente das casas, sem fazer nada, olhando o movimento da rua.

de noite no hotel há apresentação de grupos de música ,bem turístico, pros hóspedes rebolarem um pouco.Legalzinho, de manhã vendem cds de músicas.
o café do hotel estava além do esperado, muita fruta, até comida salgada, feijão,  omelete feito na hora, sucos. a moça que preparava o omelete ia preparando e beliscando umas coisinhas.



e todas usam um uniforme, em toda a ilha, acho que o fidel escolheu o modelito: sainha justa curta azul marinho,  camisa branca justa, meia-calça, sim com todo o calor, meia arrastão(?) ou meia fina, sapatinho de salto. e muiiita maquiagem.

.

ao trocar os dólares mais um (doloroso )contato com a realidade: cada dólar sofre um corte de 20% antes de fazer a cotação propriamente dita. O euro não tem esta taxação. então se levar 1.000 dólares considere que está levando  800.
a moeda para turista é o CUC ou convertibles e a moeda dos cubanos é o peso cubano ou moneda nacional, que vale 22 ou 23 vezes menos. Não é bem uma diferença real porque o que os cubanos compram sai bem mais barato também , só que com a moeda deles não podem pagar por coisas e serviços de turista.
a alternativa então é fazer trambiques para receber em CUC, ou conseguir autorização do governo para ter um serviço tipo hospedagem ou restaurante.

 se tudo é do governo, não há chance para iniciativa privada. algumas  exceções  saõ os "paladares"(restaurantes abertos nas casas das pessoas) , as "casas particulares', que oferecem hospegagem a turistas. estes serviços funcionam com autorização do governo e estão sujeitos a pagar uma taxa a este. Há outros serviços como táxis  para cidadãos cubanos. vi que costumam fazer lotação enão podem levar estrangeiros.
supõe-se então que não hajam paladares , casas particulares e táxis  sem autorização do governo, caso contrário haverá penalidades.
tentamos pagar alguma coisa direto com dólar e não é aceito, sabem que terão perda na troca.

em Havanao trânsito é tranquilo, não há muitos carros, o que há saõ os carros muito antigos, admirados por colecionadores do mundo, que soltam fumaça preta e de vez em quando encalham na rua. O próprio motorista conserta ali mesmo e segue soltando a fumaceira. Os caros modernos  geralmente são de aluguel para turistas, geralmente com ar condicionado . Os táxis para turistas são bons, novos, com ar condicionado, como em todos os lugares turísticos.Pode faltar papel no banheiro mas sempre tem ar condicionado nos lugares fechados.

quando tiver dúvida se um estabelecimento comercial é prá turista ou não é só ver qual a moeda usada. transporte coletivo urbano, só para cubanos.
Pegamos um desses ônibus prá sentir. Pagamos com CUC, fomos jogando as moedas até que o motorista disse que estava bom, creio que pagamos 10 vezes além do preço.O valor da passagem era 40 pesos cubanos

Pegamos o ônibus que estava passando sem idéia de onde iríamos, saltamos num lugar qualquer, perto de uma escola, era hora do recreio, as crianças saiam prá fazer lanche , entramos na fila do sorvete, muito bom e barato,  comecei a aprender na prática sobre o valor das coisas e a diferença da moeda.o sorvete custou 0,5 peso cubano.
 23pesos cubanos= 1 CUC=0,8 dólar.

O salário médio dos cubanos é de 20 dólares mas naõ significa que seja tão pouco como parece :as despesas de uma família cubana são menores: educação, saúde, remédios saõ  geralmente gratuitos ou muito mais baratos, poucas pessoas pagam aluguel e quando pagam é como uma prestação que dá direito a posse do imóvel, os alimentos  são mais baratos e recebem uma cota de alimentos mensalmente.
Não há miséria como vemos aqui, há um nivelamento da situação, alguns um pouco acima, outros um pouco abaixo, apesar de a situação ter piorado nos últimos anos.

 penso que nós aqui temos demais e desperdiçamos muito.
è só pensar no que jogamos diariamente no lixo, desde comida até eletrodomésticos.se um cubano pegasse o lixo de um edifício residencial, montaria uma casa consertando tudo que nós simplesmente trocamos por algo novo.
devido a falta de peças eles mesmos fabricam, torneiam , improvisam, são mecânicos de verdade e não simplesmente trocadores de peças.

Um passeio obrigatório em Havana é o malecón, a avenida junto ao mar, com 8 km de extensaõ.
fim de tarde e aos domingos é ponto de encontro . Há vários monumentos ao longo do  Malecón, e importantes construções,como o castelo de la real fuerza, o  Castillo de San Salvador de la Punta, o Torreón de San Lázaro e  o Hotel Nacional .

outras atrações: capitólio, museus, museu de la revolución , almoço num paladar, fomos no dona blanquita, em Paseo prado, almoço servido na varanda de onde se vê o movimento da avenida, muito bom, limpo, agradável, atendimento ótimo, uma casa cheia de objetos de religião afro ou santeria.a comida é muito boa , as porções são generosas, acaba sobrando.

Para não cansar as pernas um passeio de bici-taxi, deu pena do menino pedalando pelas ruazinhas de calçamento irregular, nos levou pelo bairro chino, nos deixou no setor de lojas, lojas de departamento, perfumes, cosméticos, telefones celular,eletro, tênis,uma loja só da adidas, supostamente tudo para turistas mas havia muitos cubanos comprando.vi  produtos de fabricação cubana, Mario comprou um protetor solar fator 30, fabricado em Havana e que se mostrou muito eficiente naquele sol.



estava muito calor, dava alívio entrar nas lojas, todas refrigeradas; prá refrescar mais tomamos uma tukola, a versão fidel da coca-cola.

para variar um pouco fomos jantar numa pizzaria de cubanos onde uma pizza custou 1 peso cubano. a massa é boa, forno a lenha,o que aqui não é luxo, pelo contrário, mas a  cobertura é um molhinho de tomate só prá dar cor e uma lembrancinha de  queijo. O que sobrou levei.só não dá prá pedir que embrulhem porque não há embalagem.
eu  trazia uma sacola limpa prevendo esta situação, conforme havia lido no guia Lonely Planet:em cuba é raridade sacolas plásticas  e embalagens em geral, assim como materiais descartáveis.



dia seguinte seguimos em avião para santiago de cuba. O avião que vinha do México, saiu bem atrasado, havia a bordo uma pessoa tendo ataque cardíaco,estava sendo atendida a bordo, ia para Santiago para tratamento.
Ao entrarmos no avião a aeromoça  entregava o lanche,tirando de uma sacola: um sanduiche de queijo e um refrigerante, nem perguntava, entregava rapidamente.O avião, dava medo, velho, sujo, lotado, ao correr na pista chacoalhava tanto que parecia querer desmontar-se, lembrei do Madagascar.
Na minha frente sentou uma senhora com uma sacola cheia de plantas com água..!!
Ao aterrissar foi outro suspense, nem respirei. Chegando em Santiago em meio a muito calor, após muita espera pelas bicicletas, o Mario queria pegar um táxi suspeito, o sujeito queria amarrar as bicicletas em cima do carro,
e o casal que estava na nossa frente no avião ,tentando pegar carona com a gente, insistindo que pegassemos o táxi.Não aceitei , tentei explicar ao mário a situação, ele queria economizar,  não percebeu que estava cercado de trambiqueiros, puxei ele pro lado, disse pro motorista que não queriamos, ele insistia, não pude ser muito gentil.

Pegamos então um táxi oficial, motorista super educado e paciente, nos levou a uma casa particular, esperou prá ver se tinha lugar, não havia, levou a outra casa.Pagamos CUC$ 23 pela hospedagem, com desjejum.
a dona da casa era muito simpática, festeira, e um tanto atrevida, já se assanhou com o Mário . Ficamos a vontade , não havia outros hóspedes .

Só aqui fomos desembalar as bici, felizmente tudo bem, só os freios meio desregulados.guardei todos os plástico bolha e proteções , apesar do volume, não vou arriscar, acho que não será fácil encontrar estes materiais aqui para a volta.


era cedo ainda, passeamos pelo centro histórico a pé, apesar de ser a segunda maior cidade, é possível em algumas horas conhecer todo o centro com muitas construções preservadas, inclusive o museu emílio bacardi.
Jantamos em um resturante que se dizia italiano , prédio muito bonito,comida mais ou menos, com direito a um violinista chato na janela, Mário falou que ia dar uma gorjeta prá ele parar de tocar. quem deu gorjeta foi um velho com aparência de estrangeiro, talvez inglês,  sentado na mesa ao lado com uma menina cubana que parecia sua filha. Não pudemos deixar de notar que pediram os pratos mais caros. vi mais vezes esta cena,em outros lugares: velhão estrangeiro e cubanita.
 
Dia seguinte, 17/04, acordar cedo, começar a viagem de bicicleta. que preguiça neste calor....
17/04 -santiago de cuba-chivirico  80 km-

Planejava sair cedo para evitar o calor mas Mário, pouco acostumado, demorou prá arrumar as tralhas, que não são poucas.
durante os preparativos da viagem sugeri que levasse o mínimo possível , iríamos lavando a roupa e usando a mesma, já que seria calor.
Seguimos para chivirico , seguindo a estrada asfaltada  junto a costa sudeste. a paisagem é linda, alternando trechos ao nível do mar com trechos de costão , tendo a vista da sierra maestra.
, o movimento é baixo, geralmente caminhôes de transporte de pessoas, passam, gritam, tudo é festa, até os que estão trabalhando na beira da estrada não deixam de gritar, teve um que mostrou o pau, nem vi, Mário que me contou.
encontramos também muitas pessoas em bicicleta, casais com a moça na garupa, todo mundo alegre.
Esperava encontrar muita fruta para vender na beira da estrada mas havia só umas bananas-figo. em um trecho havia uma enorme plantação de tamarindo, estavam maduros e aproveitamos para colher alguns, estava muito bom.
Mais adiante numa vendinha havia suco de tamarindo , gelado e delicioso.
também iogurte de soja, vendido em saco de 1 litro. se quiser comprar menos não tem problema, a moça abre o saco com os dentes, derrama num copinho e ..salud...
Quando era meio dia passávamos por um povoado onde um cubano nos ofereceu sua casa para almoçarmos, dizendo que era um paladar, o equivalente a um restaurante. fomos seguindo ele, meio desconfiados, por uma ruazinha cada vez mais estreita, até a casa, uma casa pobre, mas a comida foi servida como num restaurante e foi surpreendente, lagosta e peixe assado muito bem preparados e apresentados, parecia restaurante chique.

a casa não tinha sequer água encanada, havia um reservatório no quintal, onde se pegava com balde.  Mas havia televisão e DVD player. Novela brasileira não pode faltar nem show do roberto carlos. em todos lugares a novela brasileira era o programa mais assistido, novelas bem antigas.

chegamos em chivirico ao anoitecer, fui na frentendo mario, subi uma lomba para chegar ao hotel Los Galeones e estava fechado. O vigia ligou para um amigo que nos hospedaria em sua casa, transformada em "casa particular". se Fidel sabe...
as condições eram um tanto precárias, o banheiro era tenebroso, sem aquecimento, o chuveiro era um cano, mas estava ótimo, no calor que fazia o banho seria frio mesmo.
ao lado da casa um chiqueiro, mas o quarto tinha ar condicionado. pagamos 20CUC com café. O jantar foi pago a parte e estava muito bom. as pessoas da família comeram o que sobrou de nós, as crianças estavam de olho na batata frita.

todos se esforçaram para nos atender o melhor possível.

Havia muito lixo ao redor da casa e o esgoto saia  céu aberto e ia direto para ao mar.No quintal uma linda árvore de noni, esta que cura tudo e paga-se um dinheirão para buscar pela internet. a dona da casa reclamava que os alimentos que recebia não eram suficientes, havia itens que não eram mais fornecidos ,precisava racionar, deixar para as crianças.

este primeiro dia foi cansativo devido ao calor, saimos tarde, pegamos sol forte, esperei várias vezes por Mario nas subidas. ele não seguiu minha sugestão de usar pneu slick 1,5, veio com um pneu biscoito que diminuia o rendimento. também está com problema nos freios e câmbio, parou várias vezes para regular.


18/04  de chivirico a Punta de Piedra- 70Km
 

Neste trecho o cenário é mais bonito ainda, continuamos junto ao mar, mas há trechos da estrada que foram destruidos por furacões , a estrada desparece e vira um caminho de pedras junto ao mar. Nas subidas tenho esperado muito por Mário, parece cansado. Pensando nisto e querendo fazer algo diferente, propus pegarmos um caminhão  mas Mário não aceitou.
Paramos para almoço em  um restaurante de cubanos, não de turistas, o preço é em peso cubano, muito barato mas a qualidade e a limpeza deixam muito a desejar. comemos o que tinha: arroz, feijão e frango meio cozido meio ensopado.antes do almoço tomei banho no mar atrás do restaurante, mas deu medo, era uma praia de pedras enormes, sentei numa delas só prá pegar o respingo da água, as onda eram tão forte que deslocavam as pedras.

chegamos de noite em Punta de Piedra, tive que passar repelente de insetos para poder ficar parada numa das subidas esperando meu colega.
Nos hospedamos num hotel 2 * da rede cubanacam, na playa marea del portillo . O preço é mais alto que as casas, quase o dobro,  mas era a única alternativa neste local.havia muito mosquito, liguei meu repelente químico-elétrico que funcionou .
o tempo continua ensolarado e quente, castigando muito, e não há onde tomar um banho de rio ou cachoeira, até os rios estão secos, só se v~e o leito de pedras onde antes corria água.
Neste hotel um dos funcionários me pediu prá mandar e-mail prá ele porque pretendia sair do país e queria um contato no Brasil, disse que conseguia ter acesso a internet, ao contrário dos outros cubanos que não podem, a não ser que seja professor ou profissional de educação, saude ou  cultura.
muito tranquilo o hotel, a comida boazinha, melhor pedir peixe , a carne é dura e cara, salada é racionada, com a seca não há abundância de vegetais.

19/04/09 Punta Piedra a Manzanillo -100 Km

mais um dia de sol forte e calor, saimos já com sol alto depois de um café da manhã com pouca  variedade. o caminho para Manzanillo segue por váris cidadezinhas e há mais fazendas com plantações e granjas .saindo de Punta Piedra seguimos 8 km pela costa  até Pilon onde fomos pelo interior para o outro lado da ilha ao invés de contornar a ponta oeste onde ocorreu o desembarque do granma. enfrentamos uma longa subida onde encontrei uns guajiros que haviam passado pelo Mário e depois por mim e disseram algo fazendo gozação dele que estava sofrendo na subida. Parei para esperá-lo, aproveitei para comer o lanche que havia pego no desjejum no hotel, depois parei em um mercadinho prá tomar suco de mamei, uma fruta de polpa alaranjada.  estava muito calor e não queria pedalar muito devagar, preferi pedalar mais rápido e parar onde tivesse sombra.
em Manzanillo ao perguntarmos por uma casa particular indicada pela senhora de Santiago de Cuba, o moço nos guiou pela cidade de moto, nós seguindo-o. Na verdade ele nos guiou para outra casa, do amigo dele, mas era uma casa ótima, com cozinha e entrada privativa.
De noite fui conhecer a cidade enquanto Mario foi jantar . Na praça estava cheio de pessoas, parecia festa, acho que era fim de semana. tomei sorvete, e experimentei o cigarro crioulo, só de curiosa dei umas pitadas.


20/04/09 Manzanillo-Bayamo  70 km en bici e Bayamo- Camaguey en onibus 210Km
aqui nos separamos para cada um seguir seu ritmo. Pretendo fazer o caminho das cavernas e do taabaco e preciso ir mais rápido para dar tempo.

saindo de Manzanillo até Florida o trecho é urbanizado, movimentado, depois é plano, paisagem plana e monótona.
em Bayamo  há um calçadão com lojas grandes de eletroeletronicos que vendem em CUC . Deixei a bicicleta num estacionamento próprio, porque no calçadão não pode circular mesmo empurrando.
 tomar um caldo de cana, almocei num resturante vegetarianao de cubanos, bonzinho. resolvi pegar um ônibus para pular este trecho que não tem maiores atrativos, até camaguey . o ônibus saia só final de tarde, aproveitei para acessar internet num locutorio, onde o papel no banheiro era a lista telefonica.
comprovei que  vendem cartão para acesso a internet somente para turistas.
Para comprar a passagem de ônibus na estação há um guichê espaecial, só para aos turistas e o encarregado só chega em determinado horário.
o ônibus , da Viazul é muito confortável, só tem que vestir casaco porque o ar condicionado vai no máximo.  passagem 11 CUC.
numa das paradas do ônibus conheci uma fotógrafa canadense  que me deu seu endereço para quando eu for ao canadá pedalarmos juntas.
cheguei a Bayamo de noite, saio pedalando da estação , procurando a casa que tinha o endereço. já estavam dormindo mas me atenderam bem.

21/04 camaguey- ciego de avila  108 km
de manhã conheci a cidade, antes de partir, interessante, boa parte da arquitetura está preservada e restaurada.
Há mais movimento nas estradas mas nenhum problema, os caminhões esperam para ultrapassar, dão distância, as vezes ficam um tempo considerável esperando, mas nenhum forçou a ultrapassagem. alguns buzinam para cumprimentar.
De Camaguey até Florida há mais verde, alguns bosques, mas depois a paisagem volta a ser plana e repetitiva como vem sendo depois de Manzanillo.
Há muitas fazendas na beira da estrada e me abriguei numa delas para fugir de uma chuva repentina e forte. era uma fazenda de gado leiteiro, fiquei conversando com os trabalhadores enquanto a chuva caía forte.

em ciego de avila parei num posto da embaixadaa prá perguntar por uma casa particular, quando cheguei na casa o dono, sr. eliecer, já estava no portão me esperando: o moço da embaixada havia telefonado.

aqui fiquei num quarto muito interessante, no andar de cima com varanda e saída pelos fundos.
quando vi o dono da casa cortando um abacaxi não resisti e pedi um pedaço, eu estava sentindo falta de comer frutas .
a cidade é pequena, tranquila e urbanizada. há plantações de abacaxi e cana e criação de gado na região.


22/04 Ciego de avila-sancti spiritus 80 km
trecho plano
casa particular com jardim onde servem as refeições, Há mais fartura de frutas e comida , é até requintado.

23/04 sancti spiritus- trinidad  70 km
a paisagem plana deu lugar a vista da sierra del escambray. vento a favor.
ao meio dia passei por sancti spiritus onde há um trem para trinidad.
neste local há restaurante e feira de artesanato.aí troquei um prendedor de cabelo por uma manga.
Trinidad é uma cidade  a parte, bem preservada, as ruazinhas de pedra, as cass coloridas, e muita opção de hospedagem. as ruas cheias de turistas , muitos bares e restaurantes. aqui vale ficar mais de um dia.

24/04 ainda em trinidad, volta pelas praias.
fui a Playa ancon e Playa La boca, onde aluguei equipamento para fazer um snorkelling, foi lindo, muitos peixes coloridos, plantas , corais, a transpar~encia da água é impressionante.
encontrei um grupo de canadenses que estavam de bicicleta, hospedados próximo dali e um espanhol basco e ficamos mergulhando juntos. a noite fomos num barzinho na cidade ouvir os cantantes.

25/04 Trinidad a santa clara via topes de Collantes 90 km

saí as 6:30 para não pegar sol forte nas subidas. encontro dois ciclistas de holanda, um me diz que este trecho de Topes é a subida mais difícil que já enfentou em pedaladas ao redor do mundo ( acho que ele não conhece muita coisa, é difícil mas há subidas piores aqui no sul do brasil).

a altitude é 800 m, onde se chega em 18 km depois de Trinidad.Tem umas curvas muito doidas, umas rampas, parece montanha russa.
Mesmo no início da manhã já está quente e o vento está contra. no topo há um hotel.
Havia neblina e friozinho, delícia.na subida passa por mim de moto o escultor que havia conhecido em Trinidad e me convidou a bailar...se aceta bailar, já tá aceitando o resto.
a paisagem é linda, finalmente verde e serra.
numa descida caí nuns buracos no asfalto e o alforje se deslocou do encaixe, entrou entre as hastes do bagageiro, pegou nos raios, quase caí, mas o que aconteceu foi que o bagageiro se desmontou, rompeu nos pontos de solda .
a sorte é que estava em frente a uma casa e me socorreram, o moço pegou arame e um super alicate e rapidinho montou o bagageiro usando arame no lugar dos pontos de junçao da solda. ficou tão bom que segui viagem assim  até o final.
Aqui o asfalto acabou e começou a chover, peguei mais subidas em estrada de terra.
Mas a paisagem continua linda, há até rios ,que não via há tempo.
a estrada segue por dentro da floresta, há poucas casas.
cheguei as 5 horas em santa clara, fiquei numa casa bem no centro, ao lado do calçadão, fui no memorial do Che ,
aqui há poucos jineteros, é mais tranquilo, não há muitos turistas , parece que só passam rapidamente ou só os turistas que admiram o che é que ficam mais tempo. de noite há baile na rua, todos dançam , até eu dancei com um simpático, de Havana, que no dia seguinte me guiou de bicicleta para a estação de trem, e para procurar um mecânico soldador.

26/04  de santa clara a Havana em táxi

De Sta clara a Havana são 280 km de carretera sem muitos atrativos, o ônibus sai muito cedo, o tem estava umas 5 horas atrasdo, a estação lotada. Negociei um táxi não oficial, o motorista queria cobrar 40, acabou cobrando 25.
Levou mais duas pessoas, uma cubana que estava visitando a família, vindo dos estados unidos , e uma cubana de havana, que no final já estava abraçando o motorista .

cheguei em Havana num domingo, passeei tranquila pelo malecon onde as ondas batiam forte inundando a rua e dando banho em quem passava, tomei sorvete copélia e ao perguntar onde havia alguém que consertava bicicleta, acabei me hospedando na casa do mecânico, onde morava ele, esposa e a filha, uma casa linda, no vedado, fiquei num quarto com sacada, paguei muito menos porque não era uma casa autorizada, eles estavam se arriscando.

27/04/09 Havana-  banos de san juan 98 km

sai 6:45
saindo de Havana, ao invés de pegar a autopista segui por uma estrda mais próximo a costa, passando  pela Marina Hemingway, Playa Baracoa, La boca
Estrada tranquila, vento a favor, tempo nublado

segui  pela costa até Mariel, onde peguei a autopista, uma estrada de 6 pistas, vazia, a cada meia hora passava um veículo motorizado, o resto era carroça, bicicleta, cavalo.
nesta região há mais verde, é região de floresta preservada, e é mais úmido . em Las Terrazas desabou uma chuva com trovoada e fiquei na entrada do parque . era muita água, a estrada virou um rio. Segui até uma hospedagem em Banos de san Juan , um lugar lindo a beira de um riacho com muito verde. a hospedagem é em cabanas de madeira e teto de palmeira, uma delícia. 15 cuc com café.
com a chuva estava friozinho, até puxei um cobertor. foi o lugar mais agradável de hospedagem. encontrei duas alemãs que estavam viajando de mochila , me deram umas frutas secas e nozes.
pedi um jantar e o moço que trouxe me convidou a ir na floresta observar pássaros, naquela hora , quando estava anoitecendo...


28/04/2009

Banos de sanjuan- soroa 20 km

após uma noite muito bem dormida, um café com omelete e muito pão com geléia, arrumei devagar minhas coisas, sem vontade de sair deste lugar tão tranquilo.

segui pela sierra del rosario, muitas subidas de terra em meio a floresta,cheguei  em soroa ao meio dia, caiu uma chuva quando estava em frente a uma casa particular, parei ali mesmo, foi ótimo, a dona, virginia, era muito simpática.
deixei minhas coisas e sai para conhecer as atrações do lugar: orquidário, cascata, mirador, banhos romanos.
para o mirador segue-se por uma trilha a pé em meio a floresta com muitos pássaros.dá vista para o vale.
 a cascata nem vale o que se paga, é uma cachoeirinha..
gostei foi do banho romano: é uma fonte de água sulfurosa em uma piscina construida dentro de uma casa. toma-se o banho de água com cheiro de ovo podre e depois pode-se receber uma massagem. quando cheguei havia muitas pessoas, esperei esvaziar enquanto subi ao mirante e fui a última pessoa, recebi uma massagem completa, caprichada e paguei só 10 cuc, acho que o preço normal é maior, mas ciclista tem desconto, acho;)
ao voltar prá casa da Virginia, um jantar maravilhoso, o melhor feijão até agora, peixe,salada,
 suco de goiaba.


29/04/09  Soroa- san diego de los banos

neste trecho há mais lugares onde comer, tem lugares onde fazem uma pizza num forninho de lata a lenha , a massa é ótima, tostadinha, a cobertura é só um molhinho e aquela lembrancinha de queijo, mas é muito bom.

os baños estavam fechados, mas a cidade é muito agradável , fiquei hospedada numa casa particular de um dentista, 15,00 cuc, quem me indicou foi um professor de inglês que encontrei pedalando perto do colégio, seguimos juntos até na casa particular.

30/04 /09  san diego - vinales

lindo caminho, floresta, rios, segui a estrda pelo parque, há trechos bem ruins , subidas com buracos, a paisagem é linda, já se vê os mogotes, morros de pedra calcáres, cobertos de vegetação, onde há cavernas.
em Cuba há mais de 1.000 cavernas registradas.
Parei em uma caverna junto a um  restaurante para almoçar mas o preço para conhecer a caverna era alto e havia muita gente, vários onibus de turistas.
Mais adiante outra caverna onde o restaurante é dntro da caverna.
EmViñales fiquei em casa particular ,Villa Yolanda, a filha da dona era médica ,com filhos, todos morando na mesma casa . O quarto para hospedagem é o quarto deles e quando chega hóspede dormem na cozinha.
 No dia seguinte 1 de maio, depois de assistir ao desfile, onde todos participam, segui para caverna de santo tomas,  e depois fiz uma caminhada com um guia local pelos arredores, entramos  por uma caverna cuja saída é no vale  do silêncio. Aqui há plantações de tabaco, cana , café e  locais para armazenagem e secagem do tabaco para charutos.
Pode-se tomar um caldo de cana feito numa moenda rudimentar, provar um café na casa de agricultores, comprar charutos enrolados ali mesmo e compartilhar da tranquilidade e silêncio.
dia seguinte fuipedalando  para Playa santa Lucia no Cayo Jutias
Muita gente indo prá praia, até de caminhão.
O caminho para cayo jutias é impressionante, vale pagar 5 cuc para passar. é um caminho sobre o mar, aproveitando as ilhotas (cayos). há outras estradas assim em cuba, ligando a ilha aos cayos.






















terça-feira, 31 de março de 2009

volta de santiago de compostela até Lisboa

Para voltar de Santiago de compostela peguei inicialmte uma carona com meus amigos  portugueses até Bayona, onde fiquei num hotel no centro e fui visitar um lindo forte, pedalar pelas ciclovias a beira mar ,subir as ladeiras da cidade e comer muita coisa boa e tomar vinho.Bayona é um balneário turistico, não tem albergue da juventude, os hotéis são caros, seria bom ter uma barraca para acampar no camping que é muito bom e num lugar bonito .

segunda-feira, 9 de março de 2009

camino primitivo de Santiago de Compostela agost//set 2008

após o camino Português, para conhecer outras regiões da Galícia e Astúrias, pensei em fazer o caminho da costa que começa em Oviedo,
    29/08 -  Ao sair de Finisterre pela manhã peguei um ônibus até La Corunã .
O caminho foi tranquilo, muito bonito, passando pelos pueblos, até La Coruña que fica a beira mar.

a cidade é muito bonita, mas, carros demais e motoristas irritados e apressados diminuem o prazer de passear pelas ruas.
Deixei a bicicleta com a bagagem no terminal de ônibus e fui cmainhar  pela orla. Uma chuva de verão deu uma refrescada mas fiquei um tempo em baixo de umas árvores, esperando diminuir. Peguei um bondinho(tranvia) para conhecer toda a orla marítma.

voltando para a o terminal de buses comprei plástico bolha para embalar a bici, seguindo as justas exigências da empresa. aí um simpático ciclista do país Basco me ajudou e seguimos viagem junto até Oviedo, contando histórias de viagem. Muito prestativo  ligou para o albergue que informou que estaria fechado as 10 horas, não aceitando mais peregrinos. a alternativa foi então ligar para uma hospedagem particular e negociar um preço. chegando em Oviedo fui para esta hospedagem que ficava justamente na rua de mais agitação noturna, a calle gascona, rua das cidrerias.  muito interessante, muita festa,as cidrerias cheias, música, animação geral, e como falam alto estes espanhóis!!


Dia seguinte ,30/08/09 ,deixei minha bagagem e bicicleta no hotel e fui percorrer as ruas próximas, apreciar a arquitetura e as esculturas pela cidade,e tomar café , comprar pão e frutas .
Na catedral encontrei um grupo de peregrinos que estava saindo para fazer o camino primitivo e foi aí que comecei a considerar esta alternativa ao invés do camino da costa.

Voltei ao hotel, peguei minhas coisas pedalei pela cidade e então me mudei para o albergue de peregrinos que só abria lá pelas 4 horas.
Na igreja do outro lado da rua acontecia um casamento com música instrumental, os noivos foram recepcionados na rua pelos músicos .
Eu e um francês que também esperava abrir o albergue ficamos assistindo o "concerto ".
No albergue "el salvador de Oviedo" o clima era ótimo, lotado de espanhóis simpáticos e tive a agradável surpresa de encontrar um casal de portugal , Miguel e Débora, ele português, porém ela era brasileira, do norte do Brasil. Então não paramos mais de falar. Eles estavam de bicicleta e pretendiam fazer o caminho pelas trilhas.fiquei muito feliz com este encontro.
Este albergue não é grande e não tem cozinha, só geladeira e alguns pratos.
Conversando com os espanhóis decidi memo fazer o caminho Primitivo. Estávamos preocupados porque havia chovido torrencialmente no dia anterior e estaria muito enlameado  tornando difícil seguir pelas trilhas, sendo melhor, como nos nos aconselharam,  ir pelas estradas  de asfalto.
deixei para decidir quando já estivesse no caminho.
PRIMEIRO DIA- 31/08/09

 Amanheceu ensolarado e quente, atravessei a cidade e ao pedir informação para um senor, este disse que os senderos estavam bons . Porém tive dificuldade mais adiante porque a sinalização do camino não é boa; há trechos que não têm mais as placas ou as setas porque as ruas foram modificadas.
Mesmo assim encontrei as trilhas e estavam ótimas, molhadas mas não enlameadas. Peguei muitas subidas em zona rural, passei por pueblos, havia trechos lindos de trilhinha estreita em descida no meio da mata fechada.
este caminho, historicamente foi o primeiro de todos, mas é o menos usado pelos peregrinos devido a dificuldade geográfica e ao número de alojamentos.
Mas dizem que é o mais bonito justamente porque é o que tem mais natureza preservada e paisagens de montanha.

passando pela cidade de   Salas parei no albergue , que estava lotado e tinha péssimo aspecto, um pardieiro, sujo, um horror,. segui mais uns 3 quilõmetros até  Tineo, onde havia um ótimo albergue, instalado onde antes era uma escola, uma construção linda, de paredes de pedra , reformada , muitas camas, fogão, banheiro ótimo, um luxo, comparado com o anterior.
E havia só dois peregrinos instalados. Depois chegaram os amigos de Portugal e ficamos felizes de nos reencontrar.


Dormimos muito bem , o local era silencioso e a temperatura agradável, um pouquinho frio .
Pouco antes de pegarmos no sono, um barulhão fora nos fez correr à janela: tivemos um ataque de riso ao ver que era a senhora da casa ao lado batendo os tamancos para tirar a lama.

SEGUNDO DIA- 01/09/09
Depois de todos terem saído ainda fiquei um tempo aproveitando o silêncio e a beleza do lugar . . Estava tão agradável que não dava vontade de sair. Tão tranquilo o lugar que as pessoas deixam um  saco pendurado do lado de fora para o entregador colocar o pão que ali fica sem problema até que as pessoas da casa acordem.
 
Não foi possível para mim seguir somente pelos senderos, estava um mingau em alguns trechos, e pior, misturado com bosta de vaca.
Peguei trechos lindos de carretera,  a estrada passa entre florestas, tem pouco movimento e há certo cuidado e respeito por parte dos motoristas em relação a ciclistas.
Próximo a algumas cidades há longos trechos de lindas ciclovias acompanhando a estrada .




 a paisagem é  rural com vales e montanhas e muito verde. e algumas subidas boas para apreciar a paisagem.
Neste segundo dia também tive alguma dificuldade com a falta de sinalização do caminho.encontrei mais dois ciclistas , asturianos, estavml almoçando numa fonte, parei para uma rápida conversa e segui, esperando encontrá-los mais adiante porque pareciam bem dispostos e bem humorados e seriam ótima companhia.
Pernoitei em Pola da Allande, uma cidade linda, pequena, tranquila. de noite saí para jantar e tomar um vinho e ao voltar para o albergue encontrei vários gatinhos pela rua e três ciclistas que estavam esperando ônibus porque tiveram problemas mecânicos.  O  lixeiro estava passando, nos cumprimentamos e mais adiante um senhor pediu para ele esperar que iria pegar o saco de lixo em casa , e ele esperou tranquilamente.O  albergue estava lotado e com alguns roncadores profissionais a todo volume.

TERCEIRO DIA -02/09/09
Os roncadores sairam bem cedo,ainda escuro, dormi mais um pouco e segui pelos senderos, num dos trechos mais lindos , agrestes e ..difíceis. Peguei uma subida de trilha com pedras  enormes, até para caminhar era difícil, uma coisa absurda.
aqui uma passagem sobre um córrego.


quando a trilha chegou ao asfalto não tive dúvida e segui pela carretera, subindo continuamente até 1146 m de altitude, chegando ao Puerto del Palo,onde  estava frio e com vento muito forte. Fiquei imaginando como seria no inverno.
















A descida ,é claro foi alucinante, mas tive que parar vária vezes para tirar fotos.
quando estava perto de embalse de Salime encontrei os asturianos e depois o casal de Portugal.

Acabamos nos reunindo e chegamos juntos em Grandas de Salime onde o albergue era meio precário, pequeno, mas nos ajeitamos.
era cedo e saimos para conhecer o pueblo, comprar comida, passear no parque, conhecer o museu etnográfico. Havia previsaõ de chuva para o dia seguinte, pensei em procurar uma capa de chuva porque estava frio. Achei 5 euros na rua e foi justamente este o valor da capa de chuva que comprei.

A previsaõ estava certa e amanheceu chovendo muito. Pegamos uma   subida grande e contínua até o puerto del Acebo. estava frio e a chuva não parou nem um momento. Neste trecho estávamos juntos ,parecia um acordo tácito devido a dificuldade da situação.
Mais adiante a estrada estava em obras e o leito enlameado e a névoa tornavam tudo mais perigoso,. e estávamos congelando,  o albergue estava longe e na beira da estrada  não havia local para nos abrigarmos .
Ao chegarmos numa cidade foi muitobom  tomar um café quente em um local quentinho e descongelar as mãos. as minhas estavam congeladas mesmo, não conseguia mais passar as marchas.
mais um pouco e chegamos no albergue de Cadavo, a 710 m ,muito bom, cozinha ótima, calefação, só alegria.O chão era aquecido e caminhávamos descalços  para encontrar os locais mais quentes e colocar as roupas e calçados para secar. O albergue já não tinha mais lugar onde pendurar roupas molhadas.
Quando saí para comprar comida um senhor me deu carona apesar de eu estar suja e molhada e me levou no supermercado onde eu queria comprar de tudo, tamanha a fome.comprei um pão enorme, uma alface que parecia um repolho, peixe enlatado, e muito chocolate.

Depois das dificuldades que passamos estávamos todos mais alegres e mais entrosados ainda.O albergue estava cheio e tratamos de pegar um quarto longe dos roncadores. Agora nossa brincadeira era descobrir pela aparência quem era roncador. Felizmente aqueles campeóes que encontramos em Grandas de Salime não apareceram.

QUARTO DIA  03/09/09
ainda chovia e estava muito frio. Os 5 corajosos bicigrinos sairam para mais uma etapa do camino, subindo para o Purto del Acebo, a 1030 m, em meio a uma densa neblina .

após 12 km, Castroverde, parando a chuva pegamos os senderos ,próximo a Lugo, a estrada estava muito movimentada. consegui numa passada só por espinhos do caminho furar os dois pneus.
chegando a Lugo conhecemos a impressionante muralha.

A muralha romana (ss. III-IV), Património da Humanidade desde o ano 2000, tem 2.140 m de perímetro, dez portas e quarenta e seis torres defensivas. É uma das mais completas de Europa.
subimos por uma escada para pedalar em cima da muralha. depois vimos que havia rampa de acesso próximo a catedral. Nunca imaginei que um dia pedalaria num lugar assim.



 Passamos no albergue de Lugo, carimbamos a credencial após conversar com o simpático hospitaleiro e como
ainda era cedo  optamos por pernoitar num albergue fora da cidade de Lugo.
chegamos ao albergue de Guntin, esperamos um pouco pela eventual chegada de peregrinos a pé, que teriam prioridade, e nos instalamos.Havia já dois peregrinos , meio estranhos, um tanto "folgados", estavam bebendo muito, davam umas olhadas de tarados para nós, eu e Débora. Ficamos preocupados, falamos com o hospedeiro que deixou seu telefone. achamos muito estranho este comportamento desagradável por parte de peregrinos, mas nada aconteceu.
De madrugada um deles, o mais sóbrio,saiu em meio a uma tempestade , o outro ficou reclamando que estava se sentindo mal.
Nós saimos quando acalmou a chuva mas os senderos estavam debaixo dágua, passamos por dentro de córregos, estava frio, uma névoa envolvendo os campos, loucura!!
Saimos junto mas eu toquei na frente porque não era possível esperar Miguel e Débora,devido ao frio. Mais adiante em Melide, onde o caminho primitivo encontra o caminho francês esperei por eles, parei uma hora na cidade, sentada próximo a um albergue, fazendo lanche, observando o grande movimento de peregrinos .
 é muita gente, por toda a rua, não para de passar peregrino. Tem gente que vem de carro, salta, bota a mochila nas costas, disfarça, vai caminhando com cara de cansado, outros vêm com carro de apoio de familiares que entregam as mochilas próximo ao albergue, prá disfarçar.
Segui pelos senderos que aqui saõ mais fáceis, muito mais trilhados, mais largos .
Tinha que pedir licença prá passar nas trilhas, havia grupos grandes d eperegrinos que fechavam o caminho. e a diversaõ é falar buon camino e todos respondem.
chegando em Arzua fiquei num albergue particular, mais caro que os outros mais muito bom, com internet (paga a parte).almocei , passeei, depois começou de novo a chuva, visitei as igrejas e numa delas , que jánão era usada como igreja, havia uma exposição de fotos sobre o desastre do Prestige.
No albergue havia uma turma de alemães muito divertidos, me convidaram para jantar com eles, foi muito legal, alguns falavam inglês, rolou um vinho e rimos muito.
Havia uns franceses que eram como a maioria dos  outros que encontrei antes, não se misturam, só falam francês, e querem que todos entendam e também falem em francês...
Havia um garotão alemão de bicicleta, conversamos um pouco, ele queria informação sobre Portugal, estava fazendo o caminho francês só pelas carreteras, com pneu slick.

QUINTO DIA 06/09/09
tomei café com o garotão alemão, derrotamos uma barra de chocolate black e nos despedimos dizendo que ainda nos veríamos .
ainda chovia fino, fazia frio, fiquei arrumando minhas coisinhas calmamente, depois fui prá janela ver a passagem dos peregrinos, falando buon camino para todos.




quando parou a chuva, saí e fui encontrando todo mundo, até a turma de alemães.
Estava preocupada com Miguel e Débora e numa das subidas tive a alegria de encontrá-los.
assim tivemos a alegria de chegar juntos a santiago de compostela. Optamos por ficar no albergue do Monte do Gozo, que é enorme( o albergue)-  tem 400 lugares, 100 para bicicleta.
É um complexo com alojamentos e estrutura para convenções, restaurantes, posto de gasolina, muito estacionamento, serve não só aos peregrinos, tem alojamentos mais luixuosos .
http://www.montedogozo.com/

As bicicletas ficam em paraciclos em frente a cada prédio. falei com o vigia que me deixou colocar a minha dentro do alojamento: dupla vantagem porque fiquei só em um quarto , sem roncadores. De noite encontrei uma peregrina que conheci em Arzua. Estava  com saco de dormir na mão, procurando um quarto sem roncadores e nos juntamos na mesma habitação.
Passamos mais um dia em Santiago de Compostela para assistir a missa do peregrino. A catedral estava superlotada, antes da missa o  povo que não parava de conversar, parecia uma feira, não adiantava pedirem silêncio pelos altofalantes.
Depois teve uma aulinha de latim prá gente cantar durante a celebração. aprendi e cantei .
Muitas pessoas estavam ali realmente pela fé, outros parecia que era puro turismo, tirando muitas fotos durante a missa e tentando chegar mais prá frente de forma mal-educada.
Mesmo prá quem não é religioso é uma cerimônia bonita prá ser acompanhada com mais reverência.
Eu precisava sair  antes do povo prá dar tempo de ir na visita às cubiertas da catedral e
quando estava no ofertório aproveitei e fui atrás do homem da sacolinha que ia abrindo caminho-eu atrás dele com uma moedinha prá fazer de conta. Na saída dei a moedinha.

a visita guiada às cubiertas da catedral é imperdível, vale pagar para caminhar pelo telhado e conhecer toda a estrutura , muito lindo  lá em cima.

http://www.catedraldesantiago.es/visita/visitavirtualcubiertasING.htm?pcubie






após almoço fomos de carro a Finisterre, queimar a roupa suja e pegar um lindo por de sol.
após um jantar na beira da praia procuramos um albergue particular porque não daria mais tempo de voltar a Santiago.


segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Santiago de Compostela-muxia-fisterre

após o caminho português, fiquei 2 dias em santiago de compostela e segui para Muxia e Fisterre, na costa da Galícia,  para completar o caminho dos peregrinos.

O Caminho era feito pelos peregrinos que ainda tinham forças e queriam sofrer mais um pouco, além de ver o mar num dos lugares onde o por do sol é mais bonito. Fisterra ou Finisterre é “Fim do Mundo”, ou o “Fim da Terra”, e fica na  Costa da Morte, um lugar de muitos naufrágios.

Antes da peregrinação religiosa já havia peregrinações entre o povo celta, com objetivos mais mágicos. O lugar é realmente deslumbrante, mas tem que assistir ao sol mergulhando no mar.

O roteiro de peregrinação proposto geralmente é primeiro Fisterre e depois Muxia. assim estava no guia que peguei na oficina de turismo e assim eu pretendia fazer até que após uma subidona em que parei numa fonte encontrei dois ciclistas que estavam voltando e aconselharam a ir  antes a  Muxia. e acho que tinham razão. Muxia é uma vila de pescadores, pequena e tranquila  com praia para turistas. O albergue de peregrinos é ótimo.






em Muxia o visual no costão é alucinante, há um caminho junto ao mar que leva até o alto do costãoonde há uma igreja junto ao mar, o santuário da Virxe da Barca.


Há um monumento que lembra a tragédia do derramamento de petróleo do navio Prestige

"A obra, "A Ferida" é.....,a escultura maior de Espanha.
No projecto, que durou seis meses,o autor residiu em Porriño e Muxia, dedicando-lhe todo o seu tempo.O resultado é um grande monolito de mais de onze metros de altura, dividido em duas partes e simbolizando a ruptura, o impacto que representou o "Prestige" para a costa galega.
Através da fenda pode ver-se o mar e a obra é observada, também ao longe, pelos barcos que se aproximam de terra,para que os seus tripulantes não esqueçam o impacto da maré negra e a enorme vaga de solidariedade em que se empenharam tantos voluntários." (texto tirado de ..onde foi mesmo? perdi o link...) 

Seguindo para Finisterre no dia seguinte peguei uma estrada asfaltada junto a costa, lindo, lindo.




aqui encontrei vários ciclistas, alguns viajando, outros passeando ou treinando.


O dia estava lindo, um pouco nublado , temperatura alta, porém junto a costa o vento amenizava o calor.

Este trecho tem bastante asfalto mas também ótimas trilhas que vão serpenteando junto a carretera.

há que tomar cuidado em alguns trechos de descida de trilha que termina abruptamente na estrada principal, como este onde após a descida o caminho cruza o asfalto e continua numa trilha que é prá down-hill.

dá prá ver um ciclista no trecho de descida para o asfalto...mais abaixo, a continuação da trilha. tirei a foto após voltar para a carretera.

cheguei a finisterre na hora do almoço e após deixar a bagagem no albergue fui almoçar num restaurante muito legal: caldo galego(com polvo e marisco), peixe, batata, sobremesa, vinho muito bom a vontade, tudo por 10 euros.

depois fui conhecer as redondezas e visitar o museu do mar, onde foi muito agradável escutar um um experiente pescador dando explicações sobre técnicas de pesca, equipamentos, polvos e peixes.

ao entardecer, segui pela estrada junto ao mar até o cabo finisterre,onde há o farol, e onde os peregrinos queimam a roupa .

Neste dia, devido ao calor e a evaporação o por de sol foi deslumbrante. Havia muita gente no costão e pudemos assistir ao espetáculo ao som de violão e faluta da dupla de músicos que "mora " ali.

ao oferecer suco de fruta para o músico ele retribuiu com vinho.