Alguns dias antes de sair em viagem assisti a peça “O Contestado”, de autoria de Romário Borelli, apresentada pelo Grupo Toca de Teatro Universitário da Unoesc aqui em Florianópolis, o que foi uma feliz coincidência .
Eu já vinha pesquisando sobre a história deste conflito e esta peça teatral reforçou a informação e a noção de sua importância . O sotaque carregado dos atores, que me pareceu forçado, na verdade é assim mesmo. Quando cheguei na região do contestado achei engraçado ao ouvir as pessoas e lembrar da peça.
Este relato ficou no rascunho durante muito tempo , só agora me animei a escrever, deixando um pouco a preguiça . Não sou escritora, sou pedaladora ;))
Tem mais fotos no picasa
Dia 2/10/2011- florianopolis- s. josé-palhoça-santo amaro-águas mornas-santa isabel
Saí de Florianópolis pedalando para entrar na região do contestado, sendo esta parte feita mais rapidamente, por estradas principais.
A maior parte do trajeto foi feita por asfalto, levei barraca mas sem saber se seria possível acampar em todos lugares.
O tempo está bom, temperatura amena, apesar de estarmos em outubro, mas ultimamente o calor está chegando mais tarde aqui em em SC.
Trajeto do dia: Fpolis-São -josé-Palhoça -Santo Amaro-Águas Mornas-Santa Isabel.
Santa Isabel é uma colonia alemã a alguns metros da BR 282, algumas casas, igreja,um bar, campo de futebol e muito sossego.
Apesar de estar perto de Florianópolis ainda conserva características de cidade pequena quanto ao comportamento dos moradores, curiosos com a "forasteira"'.
de noite dou uma chegada no bar onde jogam sinuca, faço um lanche, converso com o dono, assim podem ver que sou uma pessoa (quase) normal, que trabalha, mora em uma casa, tem família, só que adota um meio de transporte pouco comum para viagens. e que prefere viajar sozinha para ter o máximo de autonomia e liberdade e o mínimo de compromisso ( já basta todos os compromissos que temos diariamente que envolvem horários fixos, pessoas, )
Acampo no campo de futebol onde há chuveiro e lugar coberto com mesas.
De noite é friozinho e o silêncio é delicioso com os barulhos da noite: grilos, corujas...
dst 65,78
tm 4h
Dia 3/10/2012
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Santa Isabel(águas mornas)- rancho queimado-taquaras-alfredo wagner
Sigo pela 282 para Rancho Queimado, no trevo pego a estrada para Taquaras, lindo e tranquilo caminho.
após o monumento ao tropeiro, no Morro das Navalhas, pego o acesso para retornar à BR 282
O acesso é de terra, 2Km de subidona, e está calor .
| Taquaras, monumento ao tropeiro |
chego cedo em Alfredo wagner onde acampo no Parque de exposições que foi todo reformado. Da última vez que passei por aqui os banheiros estavam destruidos, tive que tomar banho num cano na rua. Agora está muito chique, tem até laguinho.
O acesso para o parque é uma rampa, na subida ultrapasso um tratorzinho, os meninos ficam olhando curiosos, eu com a bicicleta carregada, nem acredito que ainda tenho forças, depois de todas as serras que subi.
dst 70
tm 5 h
| alfredo Wagner |
Em Bom Retiro aproveito prá comprar uma calça e uma blusa de lã, estou apavorada com o frio que tem feito e imagino que irá aumentar pois estou indo para lugares mais altos.
A dona da loja oferece a casa dela se eu quiser pernoitar ,fico muito grata e comovida com sua amabilidade e confiança, mas ainda é cedo neste dia para parar de pedalar e sigo viagem pela BR 282.
Ao passar pela entrada da Serra do Panelão vejo o acesso prá Urubici, sinto muita vontade de ir até lá, tantas vezes fui a Urubici mas sempre fica o desejo de voltar.
Resisto e continuo na 282.
Pernoito em Bocaina do Sul, simpática cidade., após 96 km pedalados em 6 hs neste dia.
Acampo num campo de futebol nos arrabaldes da cidade, quem cuida é a Tia Bira.
A noite estava fria, ela me oferece cobertores, travesseiros, edredon, faço um ninho dentro da barraca, foi o que me safou, fez muito frio e choveu um pouco, só prá embalar o sono
O que ajudou também foi que forrei a barraca com jornais que peguei num posto de combustível na entrada da cidade. De manhã passo lá prá devolver, depois de tomar um café com bolinho, pé do fogão a lenha na casa da Tia Bira, ouvindo histórias ,como de um dia em que ela hospedou alguns ciclistas e o frio era tanto que eles dormiram ali mesmo na cozinha porque na barraca tava cruel. É muito bom receber estas gentilezas e compartilhar momentos simples. Ainda tem muita gente boa pelo mundo.
| bocaina do sul |
5/10/11
Saio de Bocaina do Sul as 7:30 de uma fria manhã e o frio me acompanha pela estrada ondulante até o meio do dia, quando paro para almoço no trevo de Correia Pinto.
O movimento de caminhões e carretas aumenta ao me aproximar de Lages e diminui depois que pego o acesso para Correia Pinto, onde deixo a BR 282 e pego a BR 116, estrada mais plana, aqui é planalto.
No parque tem uma estátua em tamanho grande do monge João Maria, onde pessoas prestam homenagem e acendem velas.. como não há nenhum crente por perto aproveito prá brincar com o monge.
ele nem reclama, até gostou, falou que estava cansado de tanta seriedade e de tanta exigência dsa pessoas pedindo de tudo, desde curar doenças até conseguir emprego, ter dinheiro, passar de ano na escola, arranjar namorado..diss etambém que estava enjoado do cheiro de vela .
Chego em Correia Pinto, destino final neste dia, no meio da tarde, ainda calor e sol forte, após pedalar 78 km em 5 h.
procuro o ginásio municipal para tomar banho , pretendendo acampar no campo de futebol. Os funcionários são muito gentis, parece até que fui convidada.
O diretor da escola oferece o gramado da escola que fica num local fechado e mais tarde me oferecem uma sala da escola, a do pré -primário , que tem um tapetão e é mais aconchegante. Noto que estão preocupados comigo , sendo alvo da curiosidade dos alunos que viram eu chegando pouco antes de terminar a aula da tarde. Professores conhecem os alunos e sabem o que esperar destes. A pureza está em extinção até entre crianças.
Fiquei bem feliz e muito grata pela confiança que tiveram em mim . as acomodações eram ótimas , dormi muito bem depois que os ruidos do ginásio de esportes cessaram.
6/10/11
começam as subidas com faixa adicional, subidas tranquilas, o movimento de caminhões aumenta, parece que há mais caminhões que carros.
No trevo para Curitibanos onde tento pegar a BR 470 estava confuso, trevo alterado devido a obras, sigo 3 km na direçào errada, paro num restaurante para me informar e aproveito para almoçar, foi bom porque estava bem mais barato que o restaurante do trevo. O problema destes estaurantes prá mim é que muitos nào tem preço por quilo, é só bufe livre , e prá quem come pouco nào compensa.
Aqui já começa o sotaque caracteristico, parece até exagerado. estou surpresa com a gentileza do povo, pessoal muito simpático.
Este trecho da BR 470 foi relativamente trranquilo, a estrada tem ótimo acostamento, todas as subidas têm terceira faixa e a maioria dos caminhões passa a distância segura de mim.
Em Curitibanos sigo direto para o parque Harry World para me hospedar, já estava acabando a tarde.
Há algumas trilhinhas pelo parque boas prá se enlamear um pouco e matar a saudade , depois de tanto asfalto e estradão.
parece que os outros hóspedes estão viajando a trabalho. Tem até um caminhão.
O parque fica num bairro pobre, para chegar tem que passar pelas ruazinhas do bairro , pobre mesmo, a funcionária do parque me conta que tem turista que fica apavorado e liga prá ela com medo de ser assaltado no caminho.
Quando passei não senti receio, fui cumprimentando, pedindo licença e realmente, conforme o que a funcionária diz , não há perigo.
Hoje o dia foi quente, sol forte,mais quente ainda devido ao asfalto. Parei várias vezes onde havia sombra . Assim fiz só 67 km em 4 horas e meia.
Depois de me instalar no parque fui num mercado próximo comprar comida e tomar um sorvete e observar as pessoas do lugar, parecem tranquilas e simples.
Dia seguinte 7/10 , sexta-feira vou visitar o museu da cidade e dar umas voltas pelo centro. Os funcionários do museu são atenciosos e mostram peças que normalmente não estão acessíveis, falam que geralmente as pessoas vào ali só prá uma visita rápida, sem muito interesse, as vezes só prá passar o tempo. Aqui conheço uma autêntica bruaca e não era a moça não, aqui bruaca é um tipo de alforje, feito de couro, super grosso e pesado , para cavalos e mulas.
| curitibanos |
| parque sakura |
ainda há algumas flores de cerejeira , imagino durante o auge da florada como deve ser deslumbrante.
Não há outros visitantes, está ótimo prá conhecer o parque, caminhar, ouvir os pássaros e desfrutar do sossego e silêncio.
| monumento sino da paz |
| croc,croc |
sigo para Fraiburgo, optando por um acesso de terra cheio de pedras, com subidonas a me desafiarem. subi todas exceto uma , mas foi brabo, tinha que pedalar rá pido para vencer as pedras e depois nas descidas mais pedra prá deixar perigoso . Estou usando um pneu slick 1,5 com algumas garrinhas e parece que dá prá ver o pneu se desgastando nas pedras.
Este caminho é rural e mais silencioso com paisagem de planalto com araucárias e muita cebola.
tem que trazer este pessoal da manutenção da estrada práangelina e arredores prá aprender como se faz a coisa certa, parece que só vão descarregando o caminhào de pedra e deixando de qualquer jeito sem colocar terra e passar uma máquina. Gente relaxada e sem cuidado.
| caminho dos diabos |
| magnífica |
o encontro com esta árvore florida fez valer ter passado por este caminho.
após todo este esforço, ao chegar nos arredores de Fraiburgo passa por mim uma pessoa tomando um sorvetão de casquinha, arregalo o olho e pergunto onde tem aquela maravilha, a pessoa sorri , me mostra o lugar, sorveteria da Lu, logo na esquina.
Tomo um super caprichado prá comemorar a vitória sobre as pedras .
Dei muita risada com as mulheres que estavam admiradas com minhas viagens, parece até que se animaram um pouco a se mexer.
| chalé no parque de aventuras |
Falei com o proprietario , Sr. Darci, muito gentil, mas como não há chuveiros externos não seria possível acampar. Fiquei então numa das cabanas pagando precinho camarada.
Aqui em Fraiburgo comprei a maçã mais deliciosa , enorme, suculenta, não era fuji nem dessas que chegam aqui em florianópolis,
Dormi muito bem num silêncio total depois de caminhar pelas trilhas admirando a noite totalmente estrelada.
dst 82 km
tm 6 h
8/10
Fraiburgo-Pinheiro Preto
Na saída de Fraiburgo a estrada não tem acostamento e é bem movimentada. depois há trechos com acostamento alternando com trechos de acostamento com pedrisco e a pista é meio remendada e esburacada. Há mais descidas que subidas e muitos carros, além das carretas. num caldo de cana aproveito para comprar uma bucha vegetal para esfregar as cracas dos pés e massagear os coitadinhos tão castigados diariamente.
Sigo para Videira, depois Pinheiro Preto onde almoço num restaurante italiano pouco antes da cidade. O cardápio é prá comer muito, pedi a versão mais leve, mesmo assim tem muita fritura.
preferi ficar na sopa de capeletti, uma polenta , queijo.
Ao seguir para Tangará desceu uma chuva forte quando eu estava passando por um hotel e aproveitei prá ficar por ali, havia apesar de ter pedalado somente 50 km.
| .hotel 3 colinas R$ 35,00 com café. |
Nestes hotéis tem que lembrar de pedir no dia anterior café sem açucar porque eles adoçam bem adoçado o café todo na garrafa.
9/10 Pinheiro Preto- Tangará-Ibicaré- Treze Tílias
durante a noite choveu muito, 50 mm segundo o dono do hotel, que também estava feliz porque havia semeado milho há pouco tempo.
Saio com uma chuva fraca para Tangará,depois Ibicaré. O caminho aqui é muito bonito com vegetaçào mais preservada. Muitas subidas, boas descidas até Treze tílias, fazendo jus ao nome Ibicaré que significa caminho torto. a estradinha é uma delícia, com pouco movimento e cercada de verde.
apenas 50 km feitos tranquilamente e chego em treze tílias à tarde, com tempo e luz para percorrer a cidade e procurar um lugar para acampar.
fiquei no camping junto ao restaurante da dona Frida, ao lado da fábrica da Tirol. um lugar ótimo, com laguinho e muito sossego.
Depois voltei caminhando pelas ruas onde pessoas bem humoradas caminhavam , todos meio alegrinhos de chope , cantando as músicas típicas da festa.
Esta barraca parece nào ter a mesma impermebilização dos primeiros tempos ,quando podia ficar em cima de água corrente , com chuva torrencial e não entrava gota dágua. Fiquei um pouco preocupada mas acabei dormindo , já que não tinha muito o que fazer.
Quando cheguei nesta hospedagem, os meninos que estavam hospedados ali sugeriram que eu montasse a barraca no galpão, ao lado de jipes e tratores, mas preferi me arriscar do que a ficar cheirando óleo e gasolina, além de ser um lugar bem feio este galpão, imagina , deixar de ficar ao lado das árvores e a beira do laguinho.
Entrou um pouco de água na barraca mas nào fez estrago, eu havia forrado com jornais e colocado uns pedaços de papelão que seguraram a umidade.
10/10 acordei tarde, de ressaca devido aos dois copos de chope, a chuva passou, estava frio, tive que pendurar tudo para secar, carregar barraca molhada não é muito bom , parece que pesa o dobro. enquanto tomava café o sol aparece, começa a fazer calor.
Parece que a cidade toda ainda está custando a acordar nesta segunda-feira, passo num dos inúmeros artesanatos em madeira e compro a peça mais leve, uma lind ae rechonchuda corujinha.
| água doce |
| Irani |
Opto então por me hospedar no único hotel da cidade , onde todos os quartos são com banheiro coletivo, 20,00 reais com café. Este preço ganhou de todos até agora , parece que esta cidade nào recebe muitos visitantes ou se recebe, eles apenas passam, porque o hotel é tipo hotel de viajante
Aqui tem coleta seletiva e os resíduos são levados para outra cidade onde há separação para venda.
O lago da represa fica junto á cidade, pela manhã a condensação proporciona linda paisagem para admirar enquanto aguardo o café.
11/10 de Irani para concórdia sigo pela BR 153, estrada ótima, acostamento largo, muita descida, floresta preservada às margens da rodovia, tenho a sorte de ver nas árvores um casal de jacutingas, pulando entre os galhos.
Chego em Concórdia antes do meio-dia, passo na prefeitura para deixar um material impresso sobre circuitos de cicloturismo, o secretário de turismo é receptivo e simpático.
Em concórdia, uma surpresa: os motoristas respeitam a faixa de pedestre e estes atravessam na faixa geralmente. Isto ocorre devido a fortes campanhas educativas .
também conversei com o responsável pelo Convention bureau que se interessou por circuitos de cicloturismo na região, onde há um projeto em andamento de incentivo ao turismo agrícola, já estiveram visitando a Acolhida na colonia e há intenção de desenvolver projeto semelhante.
| estrada para camping Perondi, concórdia |
O camping estava interditado porque o acesso estava sendo terraplanado.
quem cuida do local é uma família super simpática e acolhedora.
.Ao invés de montar barraca a senhora me permite ficar numa cabaninha tipo chalé, muito linda e gostosa, usada para refeições, só usei o colchonete e saco de dormir.
Para completar a magia do lugar aparece uma enorme lua cheia e a orquestra de sapos e grilos me embala docemente nesta noite de temperatura gostosa prá dormir, só um friozinho bom.
Pela manhã 12/10, acordo cedinho, caminho até a cachoeira, onde tem poço prá banho .
saio do camping pelo mesmo caminho da ida, achei que numa das subidas não conseguiria subir, tamanha a quantidade de pedras, quando desci no dia anterior quase caí.
Sigo para Itá , depois de passar por Concórdia, asfalto bom com muitas subidas e uma descida interminável que imagino no dia seguinte quando será uma subida interminável.
| lago de Itá |
| acesso para torres da igreja |
O sinuoso caminho para as torres da igreja que aparecem no lago da represa é asfaltado e com ciclofaixa do lado direito na ida.
Após passar no parque aquático para uma refrescada rápida e um lanche, monto a barraca no camping que fica em frente e vou conhecer a barragem e a divisa SC/RS , ponte sobre o Rio Uruguai.
Ao voltar aproveito para ficar de molho nas piscinas térmicas.
Rapidamente desmonto a barraca e levo para a área coberta das duchas onde passo a noite.
De manhã continua a chuva forte, vou para a cidade de Itá e fico no hotel Benvenutti, $35,00 c/ café, banheiro, TV, ar condicionado.
| casa da memória -Itá |
Conheço a Casa da Memória , Casa da Cultura e o centro de informações da Tractebel.
É muito interessante conhecer o processo de
mudança da cidade devido a construção da barragem e consequente inundação da área. Inicialmente não houve plena aceitação da mudança e o processo demorou vários anos mas depois a cidade teve o ganho turístico.
| réplica da igreja de Itá que ficou submersa |
Para adiantar a viagem e não ter que fazer o mesmo caminho pedalando, volto para Concórdia de ônibus e sigo para Piratuba, passando por Peritiba e Ipira, por estradas estaduais asfaltadas mas com pouco trânsito e lindas paisagens. O dia é quente, sol forte, almoço em Peritiba onde há vários locais para comer e uma ótima sorveteria. Tem hotel pequeno.
Piratuba tem muitos hotéis e pousadas, a cidade vive em função das águas termais, pelas ruas há grupos de pessoas caminhando de roupão em direção às piscinas.
O camping é bem estruturado, fica em meio a floresta e está praticamente vazio.
O som nas piscinas é muito alto , monto a barraca o mais longe possível do sertanejo ..
Há restaurante no camping , na cidade há a casa colonial com frutas e queijos, pão e biscoitos, e tem uma padaria na avenida central com café expresso, uma raridade por estas bandas.
No dia seguinte faço o passeio de maria-fumaça até Marcelino Ramos , atravessando a ponte sobre o rio uruguai. Antes do embarque uma dupla de músicos anima os passageiros que vão lotando os vagões, O trajeto é de 25 km e chegando em Marcelino Ramos há a alternativa de ir de ônibus até o santuário de NS de La Salete, onde o padre benze a água da fonte da igreja. Aproveitei e enchi minha caramanhola de água benta.
Na ida , do lado direito a ferrovia passa ao lado do rio do Peixe e na volta passa ao lado de paredões de rocha com pequenas cascatas que chegam a jogar água pela janela do trem.
16/10 saída de Piratuba para Capinzal e Ouro após noite de chuva, sigo por um acesso secundário , de asfalto esburacado, que passa perto da usina Machadinho, com pouquíssimo movimento e lindas paisagens.
Após 13 km sigo pela SC para Capinzal, com muito movimento de carros em sentido contrário devido a uma feira agropecuária .
Capinzal e Ouro são separados apenas por uma pinguela, uma simpática ponte pensil.
em Capinzal fico no hotel Antares, muito bom, novo, 75,00 com café muito bom.
cheguei cedo, fiz só 44 km mas o sol está implacácel, só com muito sorvete prá aguentar, e o daqui é ótimo, parece que quem não foi no rodeio ficou na cidade tomando sorvete.
| Capinzal da sacada do hotel |
Na saída de Capinzal passo na casa dos pais de uma colega de trabalho , Juliana, que é de Ouro ,tiro uma foto para provar que aqui estive.
Algum tempo antes de planejar esta viagem tive uma professora no curso de inglês que era de Capinzal e sempre falava desta cidade durante as aulas ao dar exemplos de alguma situação e todos achavam engraçado . Nesta época falei que um dia iria visitar Capinzal de bicicleta , falei um pouco brincando , mas quando vi que estava dentro do roteiro do Contestado fiquei bem feliz .
Indo para Lacerdópolis sigo junto ao Rio do Peixe, o mesmo que separa Capinzal de Ouro. Lacerdópolis é bonitinha. pequena, tranquila, pego deliciosas laranjas na beira da rua .
Não simpatizei com joaçaba e Herval Doeste, sigo até Erval Velho,a 65 km de Capinzal, perto da rodovia, onde acampo num parque aquático, com direito a banho e toboágua, além de uma noite fria, úmida e estrelada. Tudo isto por $10,00.
Na saída de Erval Velho já enfrento uma subida de 3,6 km, antes de Campos novos paro na chucascaria tropeiro com bufet livre por $14,00, com várias saladas e vegetais.
| igreja de Vargem |
Sigo para Lages pela BR 282 que está boa neste trecho, com acostamento até nos trechos de terceira faixa, aliás , nesta viagem tenho pedalado um bocado em terceira faixa, quando nào estou numa subida estou numa descida, não há plano.
Entro em São José do Cerrito para almoçar usando um acesso secundário de terra e saindo por um de paralelepípedo. a cidade é uma rua só e não tem atrativos, é só uma sequencia de casas .
Próximo a Lages há trechos sem acostamento e no meio da tarde aumenta o movimento de caminhões,entro então no acesso ao Rio Caveiras, um trecho bonito e tranquilo de 7 km passsando pelo salto rio caveiras.
O local para camping nào é agradável, fica atrás de um bar , é sujo, com lixo e não tem chuveiro.
| pousada Lambari |
De noite o silencio é total, friozinho delicioso .
Não dá vontade de sair no dia seguinte, ainda mais que terei que pegar um trecho de BR sem acostamento até Lages.
| Painel |
Fico num quarto com acomodação para 7 pessoas, de noite é silencioso, nos fundos da pousada há vacas, pinheiros com curucacas, hortas enquanto que na frente é a rua principal com carros e supermercado.
O café é servido cedo, aproveito para sair cedinho pegando pouco movimento , o visual é lindo , há muitas descidas boas e chego em São Joaquim a tempo e almoçar num movimentado restaurante na cidade.
Ao pedir informação encontro um dos ciclistas que participou da expedição Do Atlântico ao Pacífico e é engenheiro sanitário .
Na pousada que me indicam, caminhos do gelo, não há ninguém, ligo para o celular da placa e a dona, Jureide, vem de taxi, me entrega as chaves e volta prá trabalhar me deixando sozinha tomando conta da casa, pois é também onde ela mora. O chuveiro é ótimo, os quartos tem aquecedor e cobertor elétrico e o café é na padaria , onde se pode pedir de tudo. Total: $ 50,00, com direito a usar a lavanderia com lavadora e secadora e a cozinha também.
| cheia de roupas, até touca e meia de lã |
A noite é fria, quando chego no centro as 8 horas o termometro marca 7 graus, enfrento uma estrada movimentada com vento contra, muito motorista mal educado, muita subida até Bom Jardim da Serra, onde almoço e sigo para o mirante . No caminho encontro o Sr Isac , de Lages, que está indo com o filho para Urussanga participar do Audax terra no dia seguinte. No mirante encontro vários ciclistas que estào tembém descendo a serra e irào enfrentar um calor infernal no dia seguinte.
Monto a barraca no mirante , tomo banho no
A noite é linda, estrelada, fria, vento forte, apesar de ter montado a barraca em local que seria protegido, o vento ainda passa por ela querendo carregar.e fica muito frio durante a noite, meu saco de dormir é leve, tenho que vestir mais roupas de madrugada.
23/10
Amanhece um dia lindíssimo. A vista do mirante é extasiante, toda a imponência das montanhas rasgadas na fenda do canion, as escarpas se projetando sobre a estrada .
Saindo dos 1300 metros de altitude chego rapidamente aos 220 m em Lauro Muller , onde faz muito calor, que enfrento com muito caldo de cana . Passo por Orleans, São Ludgero, cidades cada vez mais barulhentas e com mais carros e motocicletas , todos ruidosos além do normal. Não dá vontade de parar e conhecer a cidade, estão desumanizadas e descaracterizadas, não há espaço para pessoas sensíveis, só para pessoas embrutecidas .
| sta rosa de lima |
| sítio cristine |
O tempo muda durante a noite e um temporal com ventania refresca os ares que estavam quentes demais.
Para chegar na pousada o caminho é quase todo plano acompanhando um lindo rio, mas no acesso da pousada há uma rampa íngreme que parece chegar no céu e realmente chega no paraíso, com uma vista maravilhosa, sons da natureza e de noite estrelas sem iluminação artificial para atrapalhar.
Caminho pelas trilhas e relaxo totalmente depois de um banho gelado na cachoeira.
O silêncio da natureza é cheio de sons do murmúrio das águas, de pássaros, vento nas árvores, balido de ovelhas. De noite são os grilos, corujas, é muito gostoso, durmo na rede na varanda olhando os vagalumes depois continuo a dormir na cama da cabaninha que tem fogão a lenha.
26/10/11
antes de sair faço a trilha das bromélias, no caminho da saída, depois de enfrentar a descida pedregosa e perigosa com pedras soltas que desci dando pinote devido ao peso dos alforjes. O tempo está nublado, cai uma leve garoa, vou lentamente pedalando , querendo retardar o final da viagem que se aproxima.
Na subida de 10 quilômetros um cãozinho abandonado me segue, dou o pão de queijo que ganhei na pousada e uma banana que ele devora e depois continua a me seguir até o topo da subida quando disparo na descida asfaltada. a estrada está quase toda asfaltada e onde tem terra está em boas condições, diferente da última vez que passei aqui em maio de 2010, quando quase atolamos.
Próximo ao trevo com a BR 282 cai um aguaceiro de lavar e não há local onde se abrigar.Paro para almoçar no trevo, troco de roupa e vou direto para a pousada das irmãs em Angelina, depois de pedalar 68 km .
Para prolongar mais a viagem saio no meio da manhã porque pretendo pernoitar em São Pedro de Alcântara e o trajeto é curto; normalmente vou de Angelina direto para Florianópolis no mesmo dia. No restaurante em São Pedro encontro a Dona Gina, dona da pousada Terra Verde, onde pretendia ficar mas não será possível.fico numa pousada ao lado da igreja, pousada Vó Nila, bem agradável, pode-se usar a cozinha e lavar roupa. De noite fica ainda mais tranquilo e silencioso.
Finalmente volto para casa no dia seguinte, acompanhada por um friozinho bom e pouco movimento na estrada,na colônia santa tereza encontro meu amigo Jânio fazendo a caminhada matinal, agradável surpresa. Na Forquilhinha o movimento de carros aumenta, pego a Beira mar de São José, Coqueiros, sigo pela Beira mar Norte, há muitos carros, muito barulho, benvinda a ilha dos carros, benvinda à Infernópolis.

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